HARMONIA DO MUNDO

 

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MÚSICA

 

 

 

Som: Sonata para piano nº 11 de Mozart (clique aqui)

 

 

Órgão da Sé de Lisboa

 

 

 

 

 

 

 

 

«OS APÓSTOLOS», UM CD DE CANTO GREGORIANO

 

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Entre livros litúrgicos e manuscritos o CD «Os Apóstolos» foi recentemente publicado pelo Coro Gregoriano de Lisboa, sob a direcção de Maria Helena Pires de Matos. Esta investigadora de música gregoriana haveria de falecer pouco antes da publicação deste CD que muito ajudou a concretizar.

 

Trata-se de um acervo de pequenas composições musicais escritas entre os séculos IX e XIII. Numa recolha desta Professora de Canto Gregoriano da Escola Superior de Música de Lisboa, são peças preciosas pela sua melodia, plena de harmonia e também pela sua raridade na história da música sacra.

 

Cada composição de Canto Gregoriano deste CD é dedicada a um dos doze Apóstolos de Jesus Cristo. Testemunhos históricos de notável valor ao longo da Idade Média e para a própria época contemporânea,  herdeira de um rico legado musical. Um «Hino» ao comum dos Apóstolos, atribuível ao século X, abre o CD «Os Apóstolos». Lembremos o texto de Vésperas:

 

«Que o louvor exulte do céu, que a alegria se espalhe na terra: é a glória dos apóstolos que celebramos hoje. (...) Pois que saúde e doença obedecem às vossas palavras, curai o nosso coração doente, à nossa alma dai vigor.»

 

Segue-se «S. Pedro e S. Paulo» contendo quatro partes: Vigília, Dia, 1ª Vésperas e Laudes. O último Apóstolo referido é S. Matias. Aqui encontra-se um Ofertório cujo poema cantado, segundo o cânone gregoriano, nos saúda assim:

 

«Enche-nos da tua misericórdia, de manhã:

que passemos os nossos dias na exaltação e alegria, aleluia»

 

O folheto ilustrativo destes cânticos prepara o ouvinte, através do texto latino traduzido para português. Depois, surge uma paz quase irreal transmitida pelo coro da voz humana que, no Canto Gregoriano, assume a magnificência de um instrumento.

 

O instrumento musical perde o seu sentido perante a força e a beleza do ritmo alcançado pela voz humana. A voz humana atinge no Canto Gregoriano todo o seu esplendor.

 

A sacralidade dos temas versados elevou o Canto Gregoriano a uma tão alta e sancta simplicitas que o tornou único e inimitável, até aos nossos dias.

 

20/1/2012

Teresa Ferrer Passos

 

 

 

 

 

 

 

 

CENTRO CULTURAL DE BELÉM DEDICA CICLO MUSICAL

À COMPOSITORA SOFIA GUBAIDULINA

 

 

 

Uma das maiores compositoras contemporâneas, Sofia Gubaidulina, de origem tártara e russo-judaica (formada no Conservatório de Moscovo na antiga União Soviética), é homenageada pelo CCB, por ocasião do seu 80.º aniversário. A compositora, nasceu em 1931, na cidade de Christopol. Foi perseguida na cidade onde estudou pelo religiosidade cristã de que eivou as suas composições musicais e de que destacamos o seu «Cântico ao Sol» (1997) inspirado numa Oração de S. Francisco de Assis. Entre os seus notórios trabalhos conta-se «Noite em Menfis» (1968), «Na cruz para violoncelo e órgão» (1979). «Ofertorium» (1980), «À beira do abismo» (2002)» (estreia em Portugal neste ciclo do CCB), «A luz do fim» (2003).

 

A compositora Sofia Gubaidulina estará presente no CCB durante a semana que lhe é dedicada. Tocará com o Schostakovich Ensemble, para o qual compôs uma peça que será apresentada em estreia mundial no CCB. O festival apresentará, em quatro concertos, uma panorâmica da sua obra, em confronto com peças de compositores com os quais sempre manifestou afinidades: Bach, Beethoven, Schostakovich.

 

Sofia Gubaidulina «é uma das principais e mais importantes compositoras dos últimos 50 anos e hoje em dia». As declarações são do pianista Filipe Pinto-Ribeiro, director musical do ciclo «A Hora da Alma», que decorre no CCB, em Lisboa, de 5 a 12 de Fevereiro e que apresentará algumas peças de Gubaidulina em estreia nacional.

 

Na Programação online do CCB, Pinto-Ribeiro sublinhou o facto de Portugal «ser um dos poucos países que Sofia Gubaidulina não visitara ainda». Como afirma, havendo nas suas composições a mistura de «influências eslavas, tártaras, judaicas e ortodoxas russas, a música de Sofia Gubaidulina capta imediatamente o ouvinte. A beleza e variedade de sons, os ritmos selvagens, as descrições musicais apocalípticas e paradisíacas são parte do universo de Gubaidulina que poderemos testemunhar no CCB».

 

4 de Fevereiro de 2011

T. F. P.

 

 

 

 

 

Aniversário natalício de António Victorino d'Almeida,

70 anos de idade - a 21 de Maio de 2010

 

 

O compositor António Vitorino d'Almeida nasceu em Lisboa a 21 de Maio de 1940. Frequentou o liceu em simultaneidade com o Curso Superior de Piano no Conservatório Nacional de Lisboa. Concluiu o curso com 19 valores e obteve uma bolsa de estudo do Instituto de Alta Cultura para estudar composição em Viena de Áustria, na Academia de Música. Foi aluno do professor austríaco Karl Schiske, e concluiu esta pós-graduação com a mais alta classificação dada por aquela escola: a distinção por unanimidade do júri e consequente prémio especial do Ministério da Cultura da Áustria. Fixou residência em Viena, onde viveu durante duas décadas. Durante sete anos (1974-1981), foi adido cultural da Embaixada Portuguesa em Viena, cargo que lhe valeu uma condecoração atribuída pelo Presidente da República da Áustria. A sua obra, muito vasta, vai desde a música a solo, para piano e outros instrumentos, à música de câmara, à música sinfónica e coral-sinfónica, ao "Lied" e à ópera. É um dos compositores portugueses que mais pródigos em produção musical clássica. Maria de Medeiros e Inês de Medeiros são filhas do seu casamento com Maria Armanda Esteves, filha de Odette de Saint-Maurice. A sua terceira filha,  Anne Victorino d'Almeida do seu actual casamento com Sylvine Harlé é violinista e compositora. Com uma notória simplicidade, o compositor António Vitorino de Almeida revelou sempre uma excelente capacidade de comunicação. Desde a sua intervenção no Programa ZipZip aos excelentes programas televisivos «Temas e Variações» e «A Música e o Silêncio», entre outros.

 

 

 

TEATRO DONA MARIA II ESTREIA «MISERERE» A 4 DE MAIO DE 2010

 

O Teatro Nacional dona Maria II (TNDMII) vai estrear esta quinta-feira, às 21:30, «Miserere», sobre «O Auto da Alma», de Gil Vicente, contando com encenação de Luís Miguel Cintra.

O espectáculo aborda «O Auto da alma», um dos mais conhecidos autos religiosos da autoria do dramaturgo português Gil Vicente.

Integram o elenco Dinis Gomes, Duarte Guimarães, João Grosso, José Airosa, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Ricardo Aibéo, Rita Blanco, Sofia Marques e Vítor de Andrade.

São utilizados na obra os trechos musicais:

1. Mozart, Ave Verum Corpus K.618, Arnold Schoenberg Chor, Concentus Musicus Wien, Nikolaus Harnoncourt, TELDEC.

2. Eric Ramos, Vexilla regis prodeunt, Postlude in A Minor, Postlude 1 e 2, Crux fidelis, Domine Jesu Christe, (recolhidos no Youtube), Phoenix, Arizona, USA.

3. Juan de Anchieta, Salve Sancta Facies, Odhecaton, dir. Paolo Da Col, San Vitale, Festival de Ravenna 2009 (recolhido no Youtube).

O público poderá assistir até 23 de Maio, na Sala Garrett, às 21:30 (de quarta-feira a sábado) ou às 16:00 horas (domingos).

No dia 16 de Maio, às 17:30, Luis Miguel Cintra falará sobre esta produção.

 

 

«ALMA MATER», UM DISCO COM A VOZ DE BENTO XVI

 

Um CD de louvor à Virgem Maria e a Jesus foi recentemente publicado pelo Vaticano. É, sem dúvida, uma belíssima aposta discográfica levada a cabo sob a égide do Papa Bento XVI, cujo gosto pela música erudita é bem conhecido. Com composições de músicos contemporâneos como Simon Boswell, Stefano Mainetti e Nour Eddine Fatty, o CD alcança uma notória unicidade de tons e sons, aparentemente menos consentâneos, pois se as influências ocidentais são predominantes, não se abdicou de aí incluir as de origem no Próximo-Oriente.

De grande beleza  em «Alma Mater» são as vozes dos coros e a voz «cantabile» de Bento XVI. À profundidade rítmica da Academia Filarmónica de Roma junta-se a notável soprano Yasemin Sannino.  Música de sonoridades subtis, os cantores dos coros oferecem uma finíssima e encantatória melodia, a que se juntaram as frases impregnadas de poeticidade do Papa. Todo o conjunto das suas intervenções parece elevar-se até aos confins do espaço celestial, sem se perder dos espaços humanos.

Das passagens recitadas por Bento XVI, destacamos apenas a primeira das que constam do folheto que acompanha o CD:

«A fé é amor, e portanto cria poesia e música. A fé é alegria, e portanto cria beleza.

As catedrais não são monumentos medievais, mas sim edifícios vivos onde nos sentimos "em casa": encontramos Deus e encontramo-nos com os outros. Tão pouco a grande música o canto gregoriano, ou Bach ou Mozart é uma coisa do passado, pois vive da vitalidade da liturgia e da nossa fé.

Se a fé está viva, a cultura cristã não se torna "passado", antes permanece viva e presente. E se a fé está viva, também hoje podemos responder ao eterno imperativo dos salmos: "Cantai ao Senhor um cântico novo".»

 

T. F. P.

28/12/2009

 

 

 

1º CENTENÁRIO do NASCIMENTO

de OLIVIER MESSIAEN,

 o compositor chamado «Angélico»

(1908-2008)

 

 

 

No 100º Aniversário do Nascimento do compositor francês Olivier Messiaen, a Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa organiza o ciclo integral da obra para órgão em seis concertos e que vai ter lugar de 1 de Novembro a 6 de Dezembro de 2008 na cidade do Porto.

 

O Concerto de encerramento, no dia 10 de Dezembro, realiza-se na Igreja de S. António dos Portugueses, em Roma.

O centenário do nascimento do compositor e organista Olivier Messiaen (1908-1992), um dos maiores do século XX, constitui a ocasião para a organização, rara na Europa, do integral das obras para órgão.

A Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, activa na investigação e produção artística da música sacra, bem como na formação de músicos nesta área e, nomeadamente na vertente organística, promove em 2008 o ciclo integral da obra para órgão de Olivier Messiaen, que inclui seis concertos.

A cidade do Porto, designada mesmo como "cidade dos órgãos", apresenta um contexto privilegiado no que respeita à oferta de instrumentos de grande qualidade e com diversos perfis conceptuais, permitindo, através dos órgãos sinfónicos da Sé Catedral e das Igrejas de S. Martinho de Cedofeita e da Senhora da Conceição, a execução integral, em seis concertos, das obras de Olivier Messiaen, entre as maiores e complexas de todo o repertório do século XX para este instrumento.

O perfil artístico, que envolve organistas nacionais e estrangeiros, será também uma oportunidade de potenciar esta área de estudos sistemáticos organísticos, que encontra, com a música sacra, a sua vertente científica no Centro de Investigação em Ciências e Tecnologias das Artes (CITAR), bem como será uma oportunidade de promoção nacional e internacional de todo o contexto musical portuense..

Os patrocínios internacionais do Pontifício Instituto de Música Sacra em Roma e do Instituto Português de Santo António em Roma, bem como a participação de prestigiados organistas, entre os quais Winfried Bönig, organista titular da Sé Catedral de Colónia (um dos maiores interpretes de Messiaen), permitem já uma projecção internacional deste evento que se realizará entre 1 de Novembro e 10 de Dezembro (dia do 100° nascimento) de 2008.

O concerto de encerramento, a cargo do docente da Escola das Artes Giampaolo Di Rosa, será, realizado em Roma, na Igreja Nacional Portuguesa - onde G. Di Rosa acaba de ser nomeado Organista titular do novo órgão sinfónico de 4 teclados projectado por Jean Guillou - e onde está prevista a participação de eminentes personalidades do mundo eclesiástico e cultural.

Particularmente importante será a participação de Professores da Universidade ligados às áreas da Teologia, Filosofia, Musicologia e Análise Musical, que irão contribuir fundamentar os aspectos científicos dos conceitos artísticos realizados, cujos resultados serão apresentados numa mesa redonda na abertura do inteiro ciclo.



PROGRAMA:

Olivier Messiaen | Integral da obra para órgão, 2008 centenário do nascimento
*

Sé Catedral do Porto, 1 Novembro 2008, 21h30
Daniel Ribeiro (Portugal):
«Verset pour la fête de la Dédicace», «Les Corps Glorieux»
*
Igreja de S. Martinho de Cedofeita, 14 Novembro 2008, 21h30
Giampaolo Di Rosa (Itália):
«Monodie», «Livre d'Orgue»
*
Igreja da Senhora da Conceição, 15 Novembro 2008, 21h30
António Esteireiro (Portugal), Daniel Ribeiro :
«Apparition de l' Eglise éternelle», «Le Banquet céleste», «L'Ascension», «Messe de la Pentecôte»
*
Igreja de S. Martinho de Cedofeita, 5 Dezembro 2008, 21h30
António Mota (Portugal):
«Diptyque», «Méditations sur le Mystère de la Sainte Trinité»
*
Igreja da Senhora da Conceição, 6 Dezembro 2008, 21h30
Winfried Bönig (Alemanha):
«Livre du Saint Sacrement»
*
Igreja de S. António dos Portugueses em Roma, 10 Dezembro 2008 (centenário do nascimento), 21h00
Giampaolo Di Rosa:

«Offrande au Saint Sacrement», «La Nativité du Seigneur»
 

 

 

 

THE LIFE OF MESSIAEN
by CHRISTOPHER DINGLE,
Cambridge University Press, March 2007.
 

   The Life of Messiaen paints a more nuanced picture of the man and the musician, peering behind Messiaen's public persona to examine the private difficulties and creative struggles that were the true backdrop to many of his greatest achievements.

   Based upon the latest research, including previously overlooked sources, this book provides an excellent introduction to Messiaen's life and work, presenting a fascinating new perspective of a man whose story is more remarkable than the myths surrounding it. (Malcolm Ball - Internet, www.oliviermessiaen.org )


 

 

Olivier Messiaen's System of Signs
Notes Towards Understanding His Music
Andrew Shenton
Hardback
Ashgate Publishing Group


« Andrew Shenton's groundbreaking cross-disciplinary approach to Messiaen's music presents a systematic and detailed examination of the compositional techniques of one of the most significant musicians of the twentieth century as they relate to his desire to express profound truths about Catholicism.

   It is widely accepted that music can have mystical and transformative powers, but because 'pure' music has no programme, Messiaen sought to refine his compositions to speak more clearly about the truths of the Catholic faith by developing a sophisticated semiotic system in which aspects of music become direct signs for words and concepts.

   Using interdisciplinary methodologies drawing on linguistics, cognition studies, theological studies and semiotics, Shenton traces the development of Messiaen's sign system using examples from many of Messiaen's works and concentrating in particular on the "Meditations sur le mystere de la Sainte Trinite" for organ, a suite which contains the most sophisticated and developed use of a sign system and represents a profound exegesis of Messiaen's understanding of the Catholic triune God.

   By working on issues of interpretation, Shenton endeavours to bridge the traditional gap between scholars and performers and to help people listen to Messiaen's music with spirit and understanding.» (Malcolm Ball - Internet, www.oliviermessiaen.org )

 

 

Excertos de uma carta* de

OLIVIER MESSIAEN a Nicholas Armfelt :

 

 

Le 6 février 1977

 

Cher Monsieur

 

 

(…) L'Oiseau-Tupi surtout est prodigieux, comme rythme, comme ligne mélodique, et comme variété de timbres. J'ai été absolument renversé par le KOK AKO (Blue-wattée Crow, Calleras chinera). Je ne connais pas cet oiseau. Est-il de la même famille que les corbeaux fouteurs (Gymnorhina)? En tout cas, cet oiseau prodigieux fait ce que les flutistes et les clarinettistes ont découvert depuis peu, c'est-à-dire des double-sons! Si vous pouviez m'en donner une description, cela me rendrait grand service. Je connaissais déjà l'Oiseau-Tupi, l'Oiseau-Cloche, et le Mo houa à tête jaune. Mais beaucoup d'autres oiseaux que vous m'avez envoyés sont pour moi une révélation. (…) Je vous prie de croire, cher Monsieur, à ma profonde reconnaissance. Olivier Messiaen

 

* Internet, www.oliviermessiaen.org

 

 

 

 

 

 

A RELIGIOSIDADE NA MÚSICA DO SÉCULO XX

  –  OLIVIER MESSIAEN

 

 

 

 

 

Olivier Messiaen nasce, em 10 de Dezembro de 1908, na cidade de Avignon, em França. Com 11 anos, vai, com seus pais, para Paris, onde estuda e compõe parte da sua obra.

«Oito prelúdios para piano» é a sua primeira obra incluída no Catálogo oficial, datando de 1929. No teatro dos Campos Elíseos fez, com vinte e quatro anos, a sua primeira exibição pública, com a obra «As ofertas esquecidas». No ano seguinte, compõe «Tema e variações para violino e piano», composição dedicada a "Mi", expressão carinhosa de Claire Delbos, com quem casa nesse ano.

 

 

Dois anos depois, em 1934, compõe a sua primeira obra já com um sentido claramente religioso. «A Ascensão», assim lhe chamou. Desde então, toda a sua obra de composição musical se inspira na temática cristã, como por exemplo, em 1935, «A Natividade do Senhor» (primeiro dos grandes ciclos de órgão) ou os «Cantos da terra e do céu» (1938).

 

Prisioneiro dos ocupantes alemães nazis, em Junho de 1940, é no campo de Görlitz, na Silésia, que, apesar das difíceis circunstâncias, dá asas à criação musical, tendo como auditório outros prisioneiros. Por exemplo, o «Quarteto para o fim do mundo». Alcançando a liberdade, está em Paris, no ano de 1943. Compõe, com essa data, «Visões do Ámen», a que se seguem, nos anos seguintes, «Vinte olhares sobre a infância de Jesus» e «Três pequenas liturgias da presença divina».

 

 

Em 1949, inicia a sua obra teórica Tratado do Ritmo, da Cor e da Ornitologia, actualmente publicado em oito volumes. Anos depois, em Paris, publica «Despertar dos pássaros» e «Pássaros exóticos». Em 7 de Julho de 1969, com 61 anos, Olivier Messiaen cria em Lisboa a composição «Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo». Muitas outras composições musicais de índole espiritual cristã, têm a sua assinatura. O louvor e a glória do Divino constituem uma obsessiva fonte de inspiração.

 

 

Como escreve o seu amigo Claude Samuel, no site internético especialmente dedicado ao 1º Centenário do seu nascimento, este compositor francês considera o canto dos pássaros a mais bela forma musical da natureza, mesmo não esquecendo a humana.

Tendo escrito uma única ópera, intitulou-a «S. Francisco de Assis», tendo trabalhado nela durante oito anos. Ao longo desse seu trabalho, fez «uma viagem especial à Caledónia para captar o canto de um pássaro chamado gerigona. Mesmo que «não seja o seu opus último, esta ópera deve ser considerada como uma obra testamentária» (Internet, Claude Samuel, www.messiaen2008.com/biographie.php ).

 

 

 

Fazendo uma ligação entre as cores, o canto das aves e o ritmo, criou, ao longo do século XX (morre em 1992) uma obra musical sui generis de temática quase exclusivamente religiosa, o que deu azo a muitos sarcasmos e críticas insultuosas a este compositor de inegável coragem num mundo dessacralizado e ateu.

A sua personalidade ímpar ofereceu ao século XX uma feição menos monolítica e consensual no que toca à crença numa espiritualidade de matriz cristã, alargando o espaço religioso que parecia estar irremediavelmente condenado a um silêncio, em que a audácia e o destemor não moravam mais.

 

27/2/2008

 

Teresa Ferrer Passos