HARMONIA DO MUNDO

 

 

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2º MILÉNIO DO NASCIMENTO DE S. PAULO

 

 

 

ESCULTURA DE S. PAULO

 

 

 

 

 

S. PAULO À PROCURA DO SENTIDO DE  JESUS

 

 

 

«Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Jesus Cristo. Deus destinou-O a ser vítima que, mediante o seu próprio sangue, nos consegue o perdão, contanto que acreditemos»

 S. Paulo, Epístola aos Romanos, 3, 23-26

 Internet, www.paulinos.org.br

 

 

«Eram os tempos da paciência de Deus», escreve S. Paulo. A humanidade perdeu-se da sua origem primordial, do seu Criador, da sua Paternidade. A origem só se dava a conhecer pela própria obra criada, obra em que se incluía o homem. Mas o homem não a encontrava. E, afinal, só o homem a podia reconhecer porque possuía o espírito, uma qualidade que os outros seres não possuíam. E era precisamente por meio do espírito que ia reconhecendo na existência a sua precariedade e a sua incompletude. Com o espírito sentia a emoção perturbada pela ausência do Criador.

O homem sentia a falta de alguma coisa que lhe pertencia. Não a sabia nomear. Não conseguia descobrir essa raiz de que se afastara. A ausência de Deus era redutora. O sentimento das suas limitações inquietava-o e fazia-o viver numa solidão absurda.

A interrogação eram as suas horas, os seus dias, os seus anos carregados de angústia. A angústia tinha as suas raízes na ausência de sentido da sua existência, sem essa Paternidade donde viera e da qual não estava destinado a separar-se. O afastamento do antes de si, dava-lhe a certeza de que a sua vida estava esvaziada de sentido.

 Perante essa realidade em que o ser humano se enredava, Deus desvendou-Se, dando-Se a conhecer, manifestando-Se na carne. Fê-lo, como escreve S. Paulo na Epístola aos Romanos, através de Jesus, onde o Verbo habitou, fazendo-se carne.

E Deus, o nosso Pai, porque era a nossa Origem Primeira, procurou na personificação de Jesus o amor dos filhos extraviados, desviados de Si, transviados da prática do bem. Das veredas do mal não eram capazes de sair. No sentimento da soberba, os homens tinham-se perdido do Pai.

O homem esquecera-se da origem que lhe oferecera o “paraíso”. Perdera-se irremediavelmente dele. Mas, continuava com uma imagem arquétipa, uma imagem longínqua, sem visibilidade, mas ainda assim uma imagem, uma imagem subconsciente desses primeiros tempos. Uma imagem de Paternidade escondia-se nas malhas labirínticas de um Criador escondido, mas sempre vigilante. Mesmo assim, para o ser humano Ele jazia num apagamento, numa treva, para a qual não tinha visão.

Do “paraíso” tinha ficado na memória humana apenas o valor do bem. Sobrevivia imerso numa vaga memória. As sucessivas gerações seguiam na esteira do valor do mal, a sua própria antítese. Os caminhos justos do bem eram distorcidos e desprezados. O bem o rumo difícil era vencido pelo mal o trilho fácil.

O bem e o mal permaneciam em vasos comunicantes, mas o mal prevalecia nas acções. E o Verbo permanecia em silêncio. O amor desse Pai, escondido no Espírito Santo, distante: os homens não se sentiam Seus filhos. Por isso, não O amavam. Sem amor, viviam separados d’Ele. E, na paciência, Deus esperava. A paciência de Deus era a própria espera, mas os Seus filhos viviam na discórdia e não viam a espera do Pai.

Os passos dos homens, distantes da sabedoria do amor divino, estavam longe da confiança. O medo de errar, o medo de perder, o medo do fim, o medo do sonho, o medo do amor, tudo os afastava do Pai que era a fonte do amor.

Só a fonte do amor estava no Pai, o Pai que nos esperava e a Quem não chegávamos. O Pai tudo justificaria e a tudo daria razão de ser. A criatura desviava-se do Pai que a todas as gerações antecedia. Sem a solidez daquilo que ultrapassava a vida, sem o infinito que dava a eternidade, sem a força da necessidade do bem, o ser humano alienava-se, cada vez mais, da sua transcendência.

Ora, se o Criador não se aproximasse, se não fosse ao seu encontro, se não se mostrasse na carne e pela carne, o homem nunca chegaria às alturas do Verbo, nunca reencontraria o Pai, essência de amor. «Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada?». E, logo a seguir, S. Paulo cita a Escritura: «Por tua causa somos entregues à morte o dia inteiro, somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro» (Rom 8, 35-36). A verdade é que só a fé oferece essa força de não temer a humilhação nem a própria morte, em nome do Pai.

     Jesus Cristo vem manifestá-Lo, a partir da sua própria carne. Sem a Sua intervenção, o ser humano permaneceria num deserto árido, atirado para um universo de mistificadoras suposições. Um ser sem passado não teria à mão alicerces sólidos na sua vida. O presente, opressivo e opressor, não o deixaria respirar. O futuro não o deixaria ser feliz porque sem um plano de vida, afundava-se na esterilidade da sua existência. O desespero não o deixaria prosperar. Amedrontado pela corrupção da carne, não almejaria a plenitude do amor guiado pela sua origem divina.

Para S. Paulo, quem dá testemunho do Pai, senão Jesus Cristo? Só Ele se irmana aos homens ao ser concebido numa mulher por graça do Espírito Santo. Só Ele manifestou o Verbo. Através do Seu sangue redimiria todos aqueles que O seguissem nos actos e nos pensamentos, O seguissem pela comunhão do amor divino. O Seu sangue, oferecido em holocausto, seria o selo do amor do Deus encarnado, o selo do amor absoluto de Deus aos Seus filhos, que assim saberiam quanto eram amados.

O sacrifício divino, visível na humanidade de Jesus, após a condenação à morte na cruz, seria, segundo S. Paulo, o primeiro objectivo do Pai. O Pai que foi com Jesus, um só, poderia ter enviado um profeta para ensinar a Sua doutrina. Mas não foi isso que aconteceu. E porquê? Porque Jesus é muito mais do que isso. Como escreveu, «Deus destinou-O a ser vítima» (Rom 3, 25). O julgamento, o sangue vertido na tortura, os suplícios, a morte derradeira na cruz e, três dias depois, a Sua Ressurreição, constituem a razão da Sua descida à terra para que o encontro com o ser humano se tornasse para aqueles que n’Ele acreditassem num encontro de amor ao Pai.

O testemunho de Jesus único na história da humanidade mostra como o perdão do pecado é carregado pelo próprio Deus na cruz sacrificial. O perdão é alcançado para o homem através do sangue vertido pelo «Verbo que se fez carne e habitou entre nós» (Jo 1, 14).

Sem o gesto, as mãos estendidas e os braços voltados para aqueles que se deixariam sempre desviar da origem primordial, o homem continuaria a enterrar-se num pântano sem amor, fé e confiança no Pai. A fome do amor, que tudo consome, não o deixaria regressar à origem, regeneradora e fonte de alimento puro.

 O Pai que ampara, ia revelar-Se, transparecer a Seus filhos, como se fosse um deles, através de Jesus. A verdade chegava aos homens pela aparição do próprio Pai, na Sua pessoa. O Pai amava os Seus filhos, mas era preciso um testemunho. Quando a sua paz se perturbou ao vê-los sem condições para subir a Ele, disse-lhes, “estou aqui”! Como realça S. Paulo, «Deus demonstra o seu amor para connosco porque Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores» (Rom 5, 8).

Os Seus filhos não podiam chegar até Ele, sem o Seu auxílio. Sem Ele próprio lhes estender as mãos. Nada seria possível ao homem, sem o auxílio desse Pai que lhe parecia distante, enquanto Ele próprio não o abraçasse.

E abraçou-o com os braços bem abertos. Eis Jesus Cristo condenado à morte na cruz. O braços escancarados, aguardando a chegada dos seus amados filhos. Não, naquela hora. Era a hora do começo. Até ao fim dos tempos. O Pai sabia bem que muitos não O reconheceriam, mas, mesmo que fossem poucos, alguns teriam possibilidade de se salvar do pecado: «Se quando éramos inimigos fomos reconciliados com Deus por meio da morte do seu Filho, muito mais agora, já reconciliados, seremos salvos pela sua vida» (Rom 5, 10).

O reino de Deus está pronto para muitos, mas transpô-lo é difícil. Porque Jesus O revelou no mistério da morte na cruz, O transmitiu na ressurreição e O exaltou na ascensão ao céu perante os discípulos. Foi na vitória sobre o mal que o Pai interveio e interveio através da imolação do «cordeiro de Deus». O «cordeiro de Deus» é Jesus e, com ele, todos os outros filhos de Deus que n’Ele crerem. Como acentua S. Paulo, Jesus reconcilia o homem pecador com o Pai: «A escolha não depende da vontade ou do esforço do homem, mas da misericórdia de Deus». (Rom 9, 16)

A justiça de Deus «manifesta-se no tempo presente» (Rom 3, 26). E nada mais seria preciso a Jesus para cumprir o objectivo do Pai, do que a redenção da humanidade. Os milagres e as parábolas de Jesus não são o Seu atributo essencial. São os Seus atributos secundários. É que Jesus é muito mais do que um profeta ou do que um sábio, Jesus redime os que pecavam. Foi para esses que Ele aqui veio, que Ele aqui esteve.

O Filho de Deus, «o Verbo que encarnou e habitou entre nós», veio para o que era Seu. Mas, muitos não O reconheceram, nem O hão-de reconhecer… Ele falou pelo Verbo, Ele foi «uma pedra de tropeço, Ele foi uma pedra de escândalo, mas quem acreditar nela não será confundido» (Rom 8, 33). A pedra de escândalo era Jesus, porque Deus habitou o Seu coração para que o ser humano não mais tivesse razão para se afastar d’Ele, duvidando do seu amor.    

 Julho/2009

 Teresa Ferrer Passos

 

 

 

 

 

«Quem acusará os escolhidos de Deus?»

«Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? »

«Como diz a Escritura: «Por tua causa somos entregues à morte o dia inteiro, somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro». Mas, em todas estas coisas somos mais do que vencedores por meio d’ Aquele que nos amou.»

 «A escolha não depende da vontade ou do esforço do homem, mas da misericórdia de Deus.»

 (Epístola aos romanos, 8, 31,35, 36, 9, 16)

 

* * *

 

 

 

 

 

 

  «AQUILO QUE É POSSÍVEL CONHECER DE DEUS, FOI MANIFESTADO AOS HOMENS:

 

 E FOI O PRÓPRIO DEUS QUEM O MANIFESTOU»

 

(Epístola aos Romanos, 1, 19)

 

 

 

 

 

«Saulo, Saulo porque me persegues?»

 

(...) «já próximo de Damasco viu-se subitamente envolvido  por uma intensa luz, vinda do céu» (...)

 

«Quem és tu, Senhor?»

 

«Eu sou Jesus (...) Ergue-te, entra na cidade e dir-te-ão o que tens a fazer» (...)

 

«Saulo ergueu-se do chão, mas embora tivesse os olhos abertos, não via nada.»

 

«Foi necessário levá-lo pela mão e, assim, entrou em Damasco,

 

 onde passou três dias sem ver» (...)

 

«Ananias!»

 

«Aqui estou, Senhor, respondeu.»

 

«Pergunta por um homem chamado Saulo de Tarso» (...)

 

Vai, pois esse homem é instrumento da Minha escolha para levar o Meu nome perante os pagãos» (...)

 

 

(Actos, 9, 3-15)

 

 

 

 

PINTURA REPRESENTANDO S. PAULO

 

 

«O ESPÍRITO VEM EM AUXÍLIO DA NOSSA FRAQUEZA, POIS NÃO SABEMOS O QUE HAVEMOS DE

 

 PEDIR COMO É VERDADE QUE NÃO SABEMOS COMO FALAR COM DEUS!; MAS O PRÓPRIO

 

 ESPÍRITO INTERCEDE POR NÓS COM GEMIDOS INEFÁVEIS. E AQUELE QUE EXAMINA OS

 

 CORAÇÕES CONHECE AS INTENÇÕES DO ESPÍRITO, PORQUE É DE

 

ACORDO COM DEUS QUE O ESPÍRITO INTERCEDE PELOS SANTOS»

 

 

 (Epístola aos Romanos, 8, 26-27)

 

 

 

 

 

 

 

 

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