HARMONIA DO MUNDO

 

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O site Harmonia do Mundo irá acabar em breve.

Será substituído pelo blogue Harmonia do Mundo,

já em fase experimental.

 

 

 

 

PÁSCOA / 2011

 

Fonte: Blog "Missões cristãs em defesa do Evangelho"

 

 

 

 

 

JESUS CRISTO, ORAÇÃO do Evangelho Segundo S. João:

 

«Jesus falou assim, e levantando os olhos ao Céu, disse:

 

"Pai, chegou a hora: Glorifica o Teu Filho para que também o Teu Filho te glorifique a Ti, pois que Lhe deste poder sobre toda a criatura, para que dê a vida eterna a todos os que Lhe confiaste. E a vida eterna consiste nisto: Que Te conheçam a Ti, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste.

 

Glorifiquei-Te na Terra, tendo consumado a obra que Me deste a fazer. Agora glorifica-Me Tu, ó Pai, junto de Ti mesmo, com aquela glória que tinha Contigo antes que o mundo existisse.

 

Manifestei o Teu nome aos homens que, do mundo, Me deste. Eram Teus, e Tu Mos deste; eles guardaram a Tua palavra. Agora sabem que tudo quanto Me deste vem de Ti, porque lhes dei as palavras que Tu Me deste e eles receberam-nas; reconheceram verdadeiramente que saí de Ti e creram que Me enviaste."»

(...)

«"Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que, pela sua palavra, hão-de crer em Mim para que todos sejam um só; como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti, que também eles estejam em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste.

 

Dei-lhes a glória que Tu Me deste, para que sejam um como Nós somos Um. Eu neles e Tu em Mim, para que eles sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que Tu Me enviaste e os amaste, como Me amaste a Mim.

 

Pai, quero que aqueles que Me deste, onde Eu estiver, também eles estejam Comigo para que vejam a Minha glória, a glória que Tu Me deste; porque, Tu Me amaste antes da fundação do mundo.

 

Pai justo, se o mundo não Te conheceu, Eu conheci-Te, e estes conheceram que Tu Me enviaste. Dei-lhes a conhecer o Teu nome e dá-lo-ei a conhecer, para que o amor com que Me amaste esteja neles e Eu esteja neles também."»

                                                                                                                                                             Jo 17 1-8, 20-26

 

 

 

 

 

VIGIAR E ORAR (Reflexão)

 

 

"A oração não é senão um ato de amor, e é insensato pensar que só  se pode orar quando se dispõe de tempo e de solidão."

Santa Teresa de Jesus

                         

 é

Há dias que caminhar é só um passo após o outro e o vento tem a docilidade de beijar-nos a face  e sabemos ser  verdadeiramente parte da criação. Há outros que não caminhamos, ficamos presos no vale de lágrimas, no abismo de angústias. Nestes dias, damos as mãos aos pensamentos turvos da culpa e do abandono. Lá fora, o sol nasce sempre, as estrelas cintilam seus diademas de brilhantes e o vento como menino solto corre  nas praças e jardins. Nós nada vemos, pois o pensamento conduz-nos cada vez mais ao isolamento cômodo da lamentação.

As energias revigoradoras do planeta são espalhadas diuturnamente, pois a espiritualidade maior não nos esquece nunca. São fontes de sustentação para os momentos difíceis em que caminhar é um ato surpreendente, pois nossas descobertas e aprendizados são quase sempre através da dor. Todos nós domamos todos os dias um dragão interior. Não nos enganemos, o dragão dos que cruzam conosco a avenida, parece adormecido, mas ruge alto e o assusta tanto quanto o nosso, só ele o conhece. A boa sintonia mental abre todas as janelas e nos mantém fortes aos tropeços naturais do ato de viver. O bom pensamento conduz-nos às altas esferas celestiais, lá onde a bondade reina, em que seres criados simples, como nós, partilham da grandeza do amor do Pai, face a face. A oração traduz-se na vigília do bom pensamento em todos os momentos do dia. Por sermos seres em aprendizado, nosso pensamento salta dos acordes mais altos aos arranhões sonoros das escalas inferiores. O exercício necessário de orquestrarmos nossa vida, faz-se então presente. O predomínio dos belos acordes, tendo ao fundo pequenos ruídos, será a melodia que nos levará em frente. Se o predomínio for inverso, isolamo-nos do mundo, e quedamos ao sentimento de abandono. Se não é possível a oração contínua que seja o bom pensamento o condutor presente em cada minuto. Se um homem vigia seus pensamentos, ele ora. Se uma comunidade vigia seus pensamentos,  também ora. Imagine uma cidade, um país, o planeta em busca da Harmonia do Mundo.

 

Luísa Ataíde (Brasília)

 

 

 

A IMAGEM MAIS PODEROSA DA VIDA

 

«As mãos parecem quase florescer quando se abrem. Os braços como que se alongam quando partem para um abraço. O pão multiplica-se quando aceita ser repartido. A gramática da Vida é a condivisão.»

 

Páscoa/2011

José Tolentino Mendonça

 

Fonte: Agência Ecclesia

 

 

 

OBSCURA VIA

 

 

Sob os açoites do chicote,

Um homem trémulo caminhava devagar.

Na sua face encovada, lia-se: justiça.

A justiça dos senhores sempre escutados,

E das multidões juízes.

As vergastadas rasgavam o sangue.

Os braços transportavam, no madeiro, o mundo.

Era uma cruz de pesado cedro.

Subia a rua íngreme, a tropeçar.

Cobria de suor, lágrimas e sangue o sujo lajedo.

Era a hora do suplício, depois dos aplausos.

Os que lhe tinham jurado fidelidade

Não estavam lá.

Aqueles que o aclamavam antes

Cobriam-no de insultos.

Outros, amigos a quem favorecera,

Na hora derradeira não eram vistos.

O corpo magro contorcia-se nas dores.

Os que o maltratavam, diziam: Blasfemou.

Vangloriou-se. Errou.

Onde a Verdade anunciada,

Onde a vitória para os que o seguissem,

Perguntavam muitos.

Só umas mulheres, com os olhos presos

Ao sangue que corria do corpo fendido,

Choravam aquele que a justiça sentenciara.

Seguiam-no elas somente.

Elas, as mais pecadoras da cidade,

Ali lhe davam o conforto do seu choro

Na hora do abandono, do riso

E da cobardia.

 

15 de Abril de 2011, Quaresma

 

                                       Teresa Ferrer Passos

 

 

 

 

PÁSCOA 2011

 

Do alto do Madeiro,

O Teu olhar de dor

Abarca o mundo inteiro,

O mundo pecador.

 

Face ao olhar vazio

Da Tua sentinela,

Reténs um arrepio,

Deténs Teu olhar nela.

 

Toda a Humanidade

Naqueles olhos baços

Fechados à Verdade

Por mais que abras os braços.

 

O Teu amor, em chamas,

Até por esse algoz,

Apaga-se nas lamas

Do seu olhar sem voz.

 

Mas Tu estendes a mão

Que tens pregada à Cruz.

Rente ao centurião

Perpassa a Tua Luz.

 

A Teus pés se debruça

A férrea sentinela.

E louva-Te e soluça,

E tudo é amor nela.

 

Lavou-lhe a vista o pranto,

E o rosto que era imundo.

Agora o Teu encanto

Abarca todo o mundo.

 

                      Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

«O TÚMULO VAZIO»

 

«Mas logo Pedro saiu, apressado, e compreendi o que lhe prendera a atenção: o lençol com que envolvemos à pressa o corpo de Jesus estava espalmado sobre a laje onde o havíamos repousado – como se o corpo dele tivesse saído sem perturbar o pano. O lenço que segurava o queixo estava enrolado ainda, um pouco à parte. Entendi então a felicidade de Maria, e acreditei que qualquer coisa de extraordinário tinha acontecido.»

 

Peter Stilwell, O Meu Primeiro Jesus, Dom Quixote, Lisboa, 2010, p. 50.

 

 

 

 

 

ARREBOL

 

Átomos que viajam desde o Big Bang

afagam-me através da morna brisa,

neste rubro arrebol do dia exangue.

Talvez já tenham sido pedra, rouxinol, flor

e por isso a brisa como que canta

e exala um perfumado odor.

Num gesto de lascivo amor

fundo-me com a brisa,

perco-me  algures no espaço e no tempo

e, num  fugaz momento,

sinto que sou pedra, brisa, rouxinol e flor

 

Regina Gouveia

 

 

 

 

 

TAL COMO JESUS LAVOU OS PÉS

AOS SEUS DISCÍPULOS...

«(...)Na preparação da nossa Páscoa talvez seja oportuno reflectir e passar para as nossas vidas este gesto admirável de Jesus, transformando as relações de domínio em relações de serviço, descendo ao nível de cada pessoa, superando rupturas e criando alianças, encurtando distâncias e vencendo diferenças, limpando os pés sujos da raiva e da vingança, ajoelhando-nos como Jesus diante de qualquer irmão que precise dos nossos gestos solidários. Como Ele fez, façamo-lo nós também.»

Darci Vilarinho

                                                                                                                      

Fonte: Fátima Missionária, Abril de 2011

 

 

 

 

     A QUÁDRUPLA VISÃO UNITÁRIA

 

                              «Igne Natura Renovatur Integra.»

 

                           À Hermética Irmandade dos Amigos da Luz.

                             I

 

Ó noite odiosa e vil! Com uma apoplexia,

Em noite de Dezembro mais vil e sanguinosa,

Abandonei meu lar, pra ver se descobria,

Nalgum coral oculta, a essência da Rosa.

 

Furioso, bato a porta. No imo da noite,

Na latrina da noite odiosa e obscura,

Tive quatro visões que me foram açoite,

Açoite prà minh’Alma de vícios impura.

 

Na rua vejo um velho vergado p’la idade,

Mil rugas no seu rosto, os olhos carcomidos,

Que me dizia assim, sem dó nem piedade,

Na minha face vendo o estigma dos bandidos:

 

«Não sabes que ser velho é estar na noite vil,

Sem fortuna, sem Paz; viver coa solidão

Também não viverás, ó jovem d’albas mil.»

E afastou-se buscando uma côdea de pão.

 

Acima vejo um jovem de pernas mutiladas.

Era cego, era surdo, e estava exposto ao frio.

Tinha n’Alma uma cruz de pontas afiadas,

E no peito esse pus que possui o vadio.

 

«Toda a noite a implorar, sem ninguém que me acuda!

Sou Lázaro, na praça, orando em desconforto.

Minha Mãe, minha Mãe, tu vem, teu filho ajuda!

Por que deste, Mãe minha, ao mundo um vil aborto?»

 

E eu tremo, mas caminho. Os dedos encrespados,

Que Inferno, penso eu! Que noite mais abjecta!

Caminho e vejo ali, pra mal dos meus pecados,

De criança o cadáver sobre uma sarjeta.

 

                             II

 

Maldição, maldição! Toda a noite esse velho,

Toda a noite o doente, o cadáver, a peste,

Por ali ficarão, só pra meu destrambelho,

Dando o pus à rapina e nutrindo o cipreste.

 

Maldita sejas tu, cadela dos Infernos,

E maldita, maldita, a Porca louca, louca!!!

Mas enquanto eu cuspia líquidos internos

E a minha voz cansada ia ficando rouca,

 

A Rosa me apar’ceu de dulcíssimo aspeito,

Suave e virginal, de pétalas de arminho…

Ela pôs sua mão no meu amargo peito

E me disse: «Não sofras, eu sou o Caminho.

 

Sou a deusa, meu filho, que à terra vem pura,

Suave e virginal e ornada de enfeite,

Do Inferno vos livrar. Eu sou a Formosura,

Desde o Verbo a vós vinda quais pombas ou leite.»

 

«Mas Rosa, o sofrimento, a marca do pecado,

Por que não os tornas tu no mel da tua seiva?»,

Disse eu, e disse a Flor com ar amargurado:

«Tens razão, filho meu, são todos minha leiva.

 

Existe o mal, meu filho, eu sei que existe a Dor.

Mas no seio da terra de vermes coberta,

Irromperá, gloriosa, a Rosa do Amor,

Quando a Cruz for a Luz e a porta for aberta.

 

A Paz será por fim!», me disse a amada deusa,

«Tu tem Esp’rança, meu filho, teu tempo virá…»

E foi-se a meiga Flor, mas eu, como quem reza,

Recordo esta lição: a Paz enfim será!!!!!!!!!!!

 

                                                 Paulo Jorge Brito e Abreu

 

 

 

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