HARMONIA DO MUNDO

 

 

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TEOLOGIA / RELIGIÃO

 

 

PÁSCOA de JESUS/ 2009

 

TESTEMUNHOS DE APÓSTOLOS

PALAVRAS DE BENTO XVI SOBRE O MISTÉRIO PASCAL

 

TERESA FERRER PASSOS:

PASSAGEM DE CRUZ (poema)

PAIXÃO DIVINA

 

FERNANDO HENRIQUE DE PASSOS:

PÁSCOA 2009 (poema)

LUÍSA ATAÍDE:

NASCER DE NOVO

 

REGINA GOUVEIA:

"Qual pérola, o silêncio pousou sobre a alma..." (poema)

 

LUÍS MARTINS DA SILVA:

PAIXÃO DE TODA A SEMANA (poema)

 

 

 

TESTEMUNHOS de APÓSTOLOS

 

 

«(...) ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras e apareceu a Cefas e em seguida aos doze (...) e em último lugar, apareceu-me também a mim como a um aborto. É que eu sou o menor dos Apóstolos, e não sou digno de ser chamado Apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus»

S. Paulo (1 Cor 15, 4-9)

 

 

 

 

«"Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!"  E eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer ao partir do pão»

S. Lucas (24, 34-35)

 

 

 

 

«Veio Jesus , estando as portas fechadas , apresentou-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco" . Depois disse a Tomé: " Chega aqui o teu dedo e vê as Minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no Meu lado (...) Porque Me viste, acreditaste. bem-aventurados os que, sem terem visto, acreditam!"»

S. João (21, 26-29)

 

 

 

 

JOSEPH RATZINGER , O PAPA BENTO XVI,

SOBRE O

O MISTÉRIO PASCAL

 

 

«"E fez-Se homem". Daqui sabemos que é para sempre verdade que Ele é  homem. E sê-lo-á para sempre. Através dele, a humanidade foi introduzida na própria natureza de Deus é este o fruto da sua morte. Nós estamos, nós somos em Deus. Deus é o inteiramente outro e, ao mesmo tempo, o não-outro.»

 

«Se dissermos Pai juntamente com Jesus, dizemo-lo no próprio Deus. (...) O homem, o ser absurdo, deixou de ser absurdo. O homem, o ser desconsolado, já não está , já não é desconsolado: rejubilemos. Ele ama-nos, e Deus ama-nos a tal ponto que o seu amor se fez carne e permanece carne (...)»

 

«depois da Ressurreição, Jesus pertence a uma realidade que, normalmente, se subtrai aos nossos sentidos. (...)»

 

«Ele já não pertence ao mundo perceptível dos sentidos, mas ao mundo de Deus. Por conseguinte, só poderá vê-lo aquele a quem Ele o conceda. E nesse modo de ver estão envolvidos também o coração, o espírito, a pureza interior do homem.»

 

«a fé na Ressurreição de Jesus é uma profissão da existência real de Deus, e uma profissão da sua criação, do "Sim" incondicional com que Deus Se coloca perante a criação, perante a matéria.»

 

«A palavra de Deus penetra verdadeiramente até ao interior do corpo. o seu poder não acaba nos limites da matéria. Abrange o todo. e, portanto, também a responsabilidade perante essa palavra penetra certamente na matéria, no corpo, afirmando-se aí.»

 

«Na Páscoa, Deus revela-Se a Si próprio, revela a sua força  que é superior às forças da morte  , a força do amor trinitário. Assim, a revelação pascal dá-nos o direito de cantar "Aleluia" num mundo sobre o qual paira a nuvem da morte»

 

 

Fonte: Joseph Ratzinger, O Caminho Pascal , Lucerna, 1ª edição 2006, pp. 113, 118, 120 (1ª edição original, 2000).

 

 

 

 

PASSAGEM DE CRUZ

 

 

as trevas da noite quente cobriram aquele corpo.

 tombado entre flacidez e ternura.

ao longe, miríades de estrelas olhavam a imagem

descida da terra até aos céus.

o vento brando secava o sangue derramado devagar

no corpo abandonado à dor inclemente.

com as faces inchadas e a desordem nos cabelos,

 Maria e João e a outra, também Maria,

bebiam do cálice do crucificado. a justiça.

queriam ir com Ele. um mundo desconhecido.

queriam desvendar a Passagem a que a cruz levara.

queriam a Passagem. o Sacro e o Derradeiro.

Jesus a atravessara a rompera. e vencera.

apenas com a palavra pura do Amor.

 parecia, morto, uma asa a esvoaçar.

Livre, enfim, Jesus expirara.

Tudo num simples e breve suspiro.

Tudo por toda a severa gente.  

 

                                         Páscoa/o9         

                                                                           

                                                                  Teresa Ferrer Passos

 

 

 

 

PÁSCOA 2009

 

Jesus

Torturado

Na cruz

Pelo pecado

Alheio.

No meio

De dois

Ladrões.

Depois

Das humilhações.

 

Jesus

Morto

Na cruz.

Após

O Horto

Das Oliveiras.

Após

Horas inteiras

A agonizar.

Por nós.

Por nos amar.

 

Jesus

Ressuscitando!

A luz

Gritando

Vitória!

O Senhor

Da História

E do Amor

Venceu!

 

……………………

 

Venceu?

Desengano meu:

Passados dois mil anos

Sobre o sacrifício pascal,

Nós, seres humanos,

Persistimos no mal.

E, dia após dia,

Jesus continua em agonia…

 

27/3/2009                                                                        

 

Fernando Henrique de Passos                                                    

 

 

 

 

NASCER DE NOVO

 

 

Diz o evangelho de João que é necessário nascer de novo. É a  transmutação da água na evolução interior de cada um. Em todos nós existe uma centelha divina, somos carne e divindade. No exercício diário de reforma íntima faz-se necessário que a centelha do Cristo em nós, saia dos textos lidos e esteja presente em nossa rotina diária. No trato com os familiares, no trânsito, no ambiente de trabalho, no Bom-Dia ao vizinho.  Nenhuma razão maior existir de estarmos todos juntos no mesmo planeta se não for para aprendermos a amar o nosso semelhante. O Amor incondicional que nos falou Jesus é o exercício diário de ser Cristão.  Se estamos juntos neste Orbe terrestre é porque ainda estamos no mesmo nível evolutivo ou seríamos Arcanjos e povoaríamos as estrelas.  A cada um é dado a grande tarefa do aprendizado. Todos os dias nos dá o Criador mais vinte e quatro horas de crédito para recomeçarmos. É necessário o balanço antes do sono dos atos do dia: se ofendemos, se criticamos, se não fomos soldados da solidariedade.   Que os dias da Páscoa nos sejam de reflexão e crescimento. Que possamos renascer todos os dias.

Luísa Ataíde

 

 

 

 

PAIXÃO DIVINA

 

 

 

«Ele que era de condição divina, não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus; mas despojou-Se a Si mesmo tomando a condição de servo, tornando-Se semelhante aos homens. Tido pelo aspecto como homem, humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte e morte de cruz.»

S. Paulo (Fil 2, 6-8)

 

 

Em cruz, dois madeiros traçam a humilhação dos condenados. Entre eles, Jesus, o santo, o fora do comum, o diferente, inscreveu “o Espírito que não morrerá” como “a letra”, essa sim, perecível. Aqui, está a cruz que alberga o Espírito de Deus aberto a todos. Entre dois ladrões, está o injustiçado, o perseguido, o acusado.

É Jesus, o Deus inesperado, que sobe à cruz dos “não prestas”, dos “lixo”, dos banidos só por Lhe obedecerem. Na cruz não estão os inseridos numa maioria que não tem vergonha dos seus actos, diriam eles, porque eles têm o privilégio de ser perfeitos.

 

Numa cruz de repelência, de exclusão, de “escusados de existir”, morre o Deus-homem para redimir o inimaginável erro de uma humanidade que passa, quase sem passar de verdade. A visão do homem defraudado brota, numa denúncia sem apelo, do seu sangue salpicado da gritaria das ruas e das praças públicas. Reina a justiça maior.

 

Ao julgamento no Templo junta-se o da cidade. A turbulenta multidão anónima ultrapassa as palavras dos “julgadores sábios”. Se Pilatos tinha a cobardia no corpo e Herodes escarnecia daquela face de incendiárias palavras, o relapso ladrão interrogava-se sobre quem julgara aquele, ali, a seu lado e a maioria dos Escolhidos um a um, tinha desaparecido, apavorada e incrédula.

 

No estrondo da ignorância, os pregadores da conduta sã, içavam no cruzeiro a criatura infame. Esquartejam a veste e o manto coloridos pelo sangue com que lhe marcaram o espírito manso. Vendem-na a quem dá mais pelos panos (ou pelo sangue que os ensopa?). Riem sobre o corpo e crivam os pregos com a força da sua própria ironia. Atolados de orgulho, comprimem o dorso na cruz, como num sinal de expulsão da cidade. Assim se devia tratar o derrotado sob o peso da maioria que não o seguia, que não lhe dava razão. Portador de uma paz que falseava sem escrúpulos, segundo o que diziam os senhores que guardavam toda a verdade nos seus mantos secretos, era posto no lugar certo aquele que exigia uma tal cumplicidade, uma tão execrável conduta.

 

«Porque me abandonas, Pai?». O crepúsculo descai as pálpebras de Jesus. Os cabelos encobrem-lhe as faces pálidas. O vento levanta a poeira dos caminhos à volta do Gólgota. A Mãe, de joelhos, agarra-lhe com as lágrimas os pregos dos pés. Maria de Magdala, encostada à cruz, continua a amar aquele que não sabia pecar. Um dos Escolhidos, João, está ali também, com a dor nos olhos mergulhados de espírito e o coração a sucumbir de mágoa.

 

O sepulcro está pronto. Os panos para cobrir Jesus também. A pedra eleva-se. Num gesto sem precedentes, a morte é escorraçada pelo mistério da Passagem do divino pelo que é humano.

Três dias incorrupto. Jazia ainda? Não, ressuscitara, como fora anunciado nos tempos, ainda próximos, por Ele próprio. Ele e o Pai “eram um só”, como dissera. Uma Passagem (Páscoa) com um sopro de amor humano a transmitir-nos um sopro de Paixão Divina.

 

Páscoa/2009 (3/Abril)

 

Teresa Ferrer Passos

 

 

 

 

Qual pérola, o silêncio pousou sobre a alma

como gota de orvalho pousada na flor.

O sol despontou na manhã calma

e  eis, no céu da memória,

um fabuloso arco-íris

a transbordar de  cor.

 

Regina Gouveia                                                           

 

 

 

PAIXÃO DE TODA A SEMANA

 

Meu tempo, meu templo;

Minha alma, minha oração;

Minha egrégora, minha eclésia;

Minha vida, meu coração.

 

Ah! Senhor, que me seja dado

Da tua glória só um pouquinho:

Ser pelo menos teu cajado,

Ou, quem sabe, o jumentinho.

 

Carregar-te alegre em meio à turba,

Alvoroçada, no que somos,

Rudes, ignorantes, pecadores.

 

De novo, santo e povo entronizar-te.

Outra vez, Domingo de Ramos,

Véspera de tuas dádivas: sangue e dores.

 

Luiz Martins da Silva                                    

 

 

 

As FLORES ESCREVEM nas suas PÉTALAS

a ALEGRIA da VITÓRIA de JESUS

sobre a MORTE

 

 

 

 

E as flores das amendoeiras caem, ao de leve,

 nas toalhas com estrelas de flores silvestres...

 

 

 

 

BOA PÁSCOA

para todos os internautas!