PÁSCOA 2008






Três poemas de Miguel Torga, Antologia Poética,
Coimbra, 1981, págs. 190-191, 336 e 127.
VIA-SACRA
Duro caminho de chegar à morte!
E dura condição
De ser nele,
Como eu,
Conjuntamente o Cristo e o Cireneu!
Condenado,
Açoitado,
A cair
E a sangrar
Sob o peso do lenho,
Se me quero sentir humano e ajudado,
O recurso que tenho
É cantar como um carro carregado.
É pedir a coragem dos meus passos
À força dos meus versos.
Versos que são apenas o sudário,
Solidário
E crispado,
Do meu rosto de carne, desenhado
No chão da caminhada.
Como ajuda que desse ao próprio corpo
A sombra por ele mesmo projectada.
Publicado in Orfeu Rebelde, 1958.
RESSURREIÇÃO
Volto a cantar, e voltam-me à memória
As rústicas imagens
Que guardei na retina
De menino:
O repique do sino
Depois das negras horas da Paixão,
E a brejeira
Canção
Que num toco
Já oco
De cerdeira
– Flauta que um picapau lhe dera –
A seiva assobiava à primavera...
Publicado in in Diário, vol. VIII , 1959
HOSSANA!
Junquem de flores o chão do velho mundo:
Vem o futuro aí!
Desejado por todos os poetas
E profetas
Da vida,
Deixou a sua ermida
E meteu-se a caminho.
Ninguém o viu ainda, mas é belo.
É o futuro...
Ponham pois rosmaninho
Em cada rua,
Em cada porta,
Em cada muro,
E tenham confiança nos milagres
Desse Messias que renova o tempo.
O passado passou.
O presente agoniza.
Cubram de flores a única verdade
Que se eterniza!
Publicado in Cântico do Homem, 1950
Calvário
Bem sabes que é a Hora! Nem é cedo nem tarde.
Não te pertence, deixa-o ir, sozinho, pela noite.
Deixa-o, que vai achar a trágica verdade
Do seu açoite.
Nem Cireneus a suportar-lhe a cruz,
Nem mãos piedosas para a face exangue.
Que o rasto de seus pés nus
Fique marcado, para sempre, a sangue.
Tudo se cumpre em seu destino de poeta,
Mesmo o vinagre e a negra bofetada.
E aquele que o trair, em próxima alvorada,
Há-de sagrá-lo rei o chamar-lhe profeta.
Que não seja cobarde o grito de agonia!
Venha a lançada vil rasgar-lhe o coração;
Venha o insulto e a dor pela ressurreição
Do seu terceiro dia!
Maria Manuela Couto Viana, «Calvário»,
revista Távola Redonda,
Fascículo 6, Junho, 1950
PRIMAVERA PASCAL
à Ordem da Milícia dos Cavaleiros do Templo
à Hermética Irmandade dos Amigos da Luz
Só da Luz, quero a Luz e muita Luz,
Que ela é Pão, que ela é prémio pró dolente…
Ela é Nova, ela é noiva, eu digo sus !
Coragem para o pobre e o doente.
Só da Luz. Só d’Amor, em farta Vinha,
O Sol agora vem, e é bem-vindo…
Ai cânticos e frol duma andorinha!
O dia é Primavera, eu digo lindo!
Só da Luz, minha leda, e só do Vate:
Vem d’amora, de poma e vem de véu…
Vem comigo, a lidar o bom combate:
Eu n’asa dos teus olhos, vejo o Céu.
Inédito de PAULO JORGE BRITO E ABREU
PARCE, JESU !
Meu Jesus sanguinolento,
Já crucificado, atento
Às ervinhas do Calvário,
Livra-me do alto tormento
E em meu rosto macilento
Estampa o santo Sudário.
Teus cravos meus dedos
[furem.
Me castiguem e segurem
Como o aguilhão ao boi,
Minhas mazelas se curem
Com propósitos que durem
Mais do que a vida me dói.
Já nos dias enganados
Os teus olhos inclinados
Com misericórdia de cruz
Vertam bálsamos sagrados,
Sejam meus seios regados
De esperança, caridade e luz.
Ladrão, somítico, falso,
Teu pé santo, o meu descalço,
Ajude e meta ao caminho
Mundo vão que amei e exalço
O pávido cadafalso
Me armava o corpo
[mesquinho.
Porém árvore de sangue
A mim Te deixou exangue
Nas rosas dos teus estigmas.
Cobarde peito, alma langue!
Ter ainda vida que mangue
Do aviso de altos enigmas!
Já como uma vara verde
O pecador que se perde
Teme o Juiz derradeiro.
Campo de Caim, oh, ter de
Lavrar-te, e ser o que te
[herde,
Dando de torno um cordeiro!
Ossos de homem e mulher
Já brancos de cal a arder
A Terra toda encineram.
Perde-se aquele que quer
Tem ferro o que a ferro fere
Carnes que a Ti te doeram.
Ó olhos grados, ausentes
Nos redondos céus silentes
A encher amor que me sane,
Divina força de dentes
Cerrados às dores ardentes
Éli, lama sabacthani!
Já as trevas conglobadas
A relâmpagos rasgadas
Alçam cerros e marés.
Pálidas faces amadas
Rendes às horas contadas
Trémulo da madeixa aos pés.
Que essa tua potestade
Consentindo à pravidade
Por desculpa desanima.
Parce, Jesu de piedade!
Vejo um livor da Cidade
Do Pai, que o Espírito
[aproxima.
Tímpanos, cítaras, loas
Altas cantem Três Pessoas
Que pela Tua adoramos.
SURREXIT ! qual ave voas.
Britada a pedra, alta soas
ALLELUIA ! GAUDEAMUS !
Vitorino Nemésio, Nem Toda a Noite a Vida,
Ed. Ática, Lisboa, 2ª edição, 1952, pp. 172-175.
Calvário ou Gólgota
Em aramaico, Gólgota é o nome dado à colina que na época de Cristo ficava fora da cidade de Jerusalém, onde Jesus foi, segundo a tradição, crucificado. Calvaria em latim e Gûlgaltâ em aramaico. O termo significa "caveira" "crâneo", referindo-se a uma colina que contém uma pilha de crânios (ou a um acidente geográfico que se assemelha a um crânio).
Segundo o Evangelho de Lucas, "Então eles chegaram ao lugar chamado de Caveira". Como se escreve no Evangelho de João, "carregando ele mesmo a sua cruz, saiu para o assim chamado Lugar da Caveira, que em hebraico se diz Gólgota".
O evangelista Lucas não indica o nome em aramaico do local, Gólgota. Já João se equivoca ao referir-se ao termo como sendo em hebraico, visto que o aramaico era a língua dos judeus à época. O Novo Testamento descreve o Calvário como perto de Jerusalém (João 19, 20), e fora das muralhas da cidade (Epístola aos Hebreus 13, 12).
Isso está de acordo com a tradição judia, em que Jesus foi também enterrado perto do lugar de sua execução. O imperador romano Constantino, o Grande construiu a Igreja do Santo Sepulcro sobre o que se pensava ser o sepulcro de Jesus em 326–335, perto do lugar do Calvário
(Alguns destes dados históricos foram retirados de Internet, da Wikipedia)
PASSAGEM
Páscoa é passagem ou amor
E Aventura dos Tempos
E infinitude
E o finito
Da alma serena
De todas as Idades
Sem fim
Páscoa! No grito e
Na meta alcançada
Tem o traço forte
Da vida atribulada
Mas jamais renegada
Ou suspensa um instante!
Tudo é Passagem
Nas frases mais breves
E encantadas!
Nos sorrisos sem tempo
E eternizados!
Tudo é Páscoa!...
Teresa Ferrer Passos, Álbum de Amor,
Universitária Editora, Lisboa, 1998, p. 89
«PASSAGEM»
À procura de alguém nascem túlipas, petúnias, margaridas e rosas.
Orvalhadas e sedosas. São esbeltas na beleza de um universo.
Imenso. No planeta cantante vejo um edénico pomar onde tudo é.
Querer, não querendo. Crescem pétalas de esperança. Rebentam
Caules de dor nesta singela morada. Eclodem estradas feitas de
Cor e de perfumes. Irrompem entre dunas e montanhas. Nasce a
Paz numa estreita passagem.
Teresa Bernardino
(ortónimo de Teresa Ferrer Passos),
Fragmentos-de-Sol,
ed. autor, Lisboa, 1993, p. 12.
DOMINGO DE PÁSCOA
Não, Jesus não ressuscitou –
Jesus não chegou a morrer.
Espera ainda que nós,
Que o crucificámos,
O vamos retirar da cruz.
Fernando Henrique de Passos,
Horas de Trevas, Horas de Luz,
Universitária Editora, Lisboa, 2003.
RESSURREIÇÃO
É missa, é messe, é missal,
Ladainha e procissão,
É vela no castiçal,
Batistério, água e sal,
Padre pregando sermão!
Lava - pés na quinta - feira,
Demonstração de humildade
E com fé o frade e a freira
Rezam pela humanidade!
É CRISTO, é cravo, é cruz,
No momento da paixão,
Tudo é treva, vai-se a luz,
Mundo pedindo perdão.
É vida, é renovação,
No Cristo ressuscitado,
É a Páscoa do Cristão,
Redimindo o seu pecado...
Antonio Manoel Abreu Sardenberg
São Fidélis "Cidade Poema", Brasil
A PÁSCOA E A SIMBÓLICA DO OVO
«O Domingo de Páscoa é a ressurreição, simbolizada pelo ovo, significando o nascimento – a nova vida.
A tradição de oferecer ovos vem da China. No domingo de Páscoa, ao abrir o seu ovo, lembre-se que a paciência chinesa é responsável por essa tradição.
Há vários séculos os orientais preocupavam-se em embrulhar os ovos naturais com cascas de cebola e cozinhavam-nos com beterraba. Ao retirá-los do fogo, ficavam com desenhos mosqueados na casca. Os ovos eram dados de presente na Festa da Primavera.
O costume chegou ao Egipto. Assim como os chineses, os egípcios distribuíam os ovos no início da nova estação.
Depois da morte de Jesus Cristo, os cristãos consagraram esse hábito como lembrança da ressurreição e no século XVIII a Igreja adoptou-o oficialmente, como símbolo da Páscoa. Desde então, trocam-se os ovos enfeitados no domingo após a Semana Santa.
Há duas versões para explicar a substituição de ovos naturais pelos de chocolate. Uma delas conta que a Igreja proibia, durante a Quaresma, a alimentação que incluísse ovos, carne e derivados de leite. Mas essa versão é contraditória, pois, na Idade Média, era comum a bênção de ovos durante a missa antes de entregá-los aos fiéis. A hipótese mais provável é o início do desenvolvimento da indústria de chocolate, por volta de 1828.»
Internet, «Portal da Fantasia», portalparaafantasia.blogspot.com
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A TODOS OS INTERNAUTAS DE «HARMONIA DO MUNDO»
DESEJAMOS UMA PÁSCOA REVESTIDA DE VIDA,
A SALTAR DE OVOS DOS DOCES FOLARES!
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