1º CENTENÁRIO do NASCIMENTO

de OLIVIER MESSIAEN,

 o compositor chamado «Angélico»

(1908-2008)

 

 

 

 

 

THE LIFE OF MESSIAEN
by CHRISTOPHER DINGLE,
Cambridge University Press, March 2007.
 

   The Life of Messiaen paints a more nuanced picture of the man and the musician, peering behind Messiaen's public persona to examine the private difficulties and creative struggles that were the true backdrop to many of his greatest achievements.

   Based upon the latest research, including previously overlooked sources, this book provides an excellent introduction to Messiaen's life and work, presenting a fascinating new perspective of a man whose story is more remarkable than the myths surrounding it. (Malcolm Ball - Internet, www.oliviermessiaen.org)
 

Olivier Messiaen's System of Signs
Notes Towards Understanding His Music
Andrew Shenton
Hardback
Ashgate Publishing Group


« Andrew Shenton's groundbreaking cross-disciplinary approach to Messiaen's music presents a systematic and detailed examination of the compositional techniques of one of the most significant musicians of the twentieth century as they relate to his desire to express profound truths about Catholicism.

   It is widely accepted that music can have mystical and transformative powers, but because 'pure' music has no programme, Messiaen sought to refine his compositions to speak more clearly about the truths of the Catholic faith by developing a sophisticated semiotic system in which aspects of music become direct signs for words and concepts.

   Using interdisciplinary methodologies drawing on linguistics, cognition studies, theological studies and semiotics, Shenton traces the development of Messiaen's sign system using examples from many of Messiaen's works and concentrating in particular on the "Meditations sur le mystere de la Sainte Trinite" for organ, a suite which contains the most sophisticated and developed use of a sign system and represents a profound exegesis of Messiaen's understanding of the Catholic triune God.

   By working on issues of interpretation, Shenton endeavours to bridge the traditional gap between scholars and performers and to help people listen to Messiaen's music with spirit and understanding.» (Malcolm Ball - Internet, www.oliviermessiaen.org)

 

 

Excertos de uma carta* de

OLIVIER MESSIAEN a Nicholas Armfelt :

 

 

Le 6 février 1977

 

Cher Monsieur

 

 

(…) L'Oiseau-Tupi surtout est prodigieux, comme rythme, comme ligne mélodique, et comme variété de timbres. J'ai été absolument renversé par le KOK AKO (Blue-wattée Crow, Calleras chinera). Je ne connais pas cet oiseau. Est-il de la même famille que les corbeaux fouteurs (Gymnorhina)? En tout cas, cet oiseau prodigieux fait ce que les flutistes et les clarinettistes ont découvert depuis peu, c'est-à-dire des double-sons! Si vous pouviez m'en donner une description, cela me rendrait grand service. Je connaissais déjà l'Oiseau-Tupi, l'Oiseau-Cloche, et le Mo houa à tête jaune. Mais beaucoup d'autres oiseaux que vous m'avez envoyés sont pour moi une révélation. (…) Je vous prie de croire, cher Monsieur, à ma profonde reconnaissance. Olivier Messiaen

 

* Internet, www.oliviermessiaen.org

 

 

 

 

 

 

A RELIGIOSIDADE NA MÚSICA DO SÉCULO XX

  –  OLIVIER MESSIAEN

 

 

 

 

 

Olivier Messiaen nasce, em 10 de Dezembro de 1908, na cidade de Avignon, em França. Com 11 anos, vai, com seus pais, para Paris, onde estuda e compõe parte da sua obra.

«Oito prelúdios para piano» é a sua primeira obra incluída no Catálogo oficial, datando de 1929. No teatro dos Campos Elíseos fez, com vinte e quatro anos, a sua primeira exibição pública, com a obra «As ofertas esquecidas». No ano seguinte, compõe «Tema e variações para violino e piano», composição dedicada a "Mi", expressão carinhosa de Claire Delbos, com quem casa nesse ano.

 

 

Dois anos depois, em 1934, compõe a sua primeira obra já com um sentido claramente religioso. «A Ascensão», assim lhe chamou. Desde então, toda a sua obra de composição musical se inspira na temática cristã, como por exemplo, em 1935, «A Natividade do Senhor» (primeiro dos grandes ciclos de órgão) ou os «Cantos da terra e do céu» (1938).

 

Prisioneiro dos ocupantes alemães nazis, em Junho de 1940, é no campo de Görlitz, na Silésia, que, apesar das difíceis circunstâncias, dá asas à criação musical, tendo como auditório outros prisioneiros. Por exemplo, o «Quarteto para o fim do mundo». Alcançando a liberdade, está em Paris, no ano de 1943. Compõe, com essa data, «Visões do Ámen», a que se seguem, nos anos seguintes, «Vinte olhares sobre a infância de Jesus» e «Três pequenas liturgias da presença divina».

 

 

Em 1949, inicia a sua obra teórica Tratado do Ritmo, da Cor e da Ornitologia, actualmente publicado em oito volumes. Anos depois, em Paris, publica «Despertar dos pássaros» e «Pássaros exóticos». Em 7 de Julho de 1969, com 61 anos, Olivier Messiaen cria em Lisboa a composição «Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo». Muitas outras composições musicais de índole espiritual cristã, têm a sua assinatura. O louvor e a glória do Divino constituem uma obsessiva fonte de inspiração.

 

 

Como escreve o seu amigo Claude Samuel, no site internético especialmente dedicado ao 1º Centenário do seu nascimento, este compositor francês considera o canto dos pássaros a mais bela forma musical da natureza, mesmo não esquecendo a humana.

Tendo escrito uma única ópera, intitulou-a «S. Francisco de Assis», tendo trabalhado nela durante oito anos. Ao longo desse seu trabalho, fez «uma viagem especial à Caledónia para captar o canto de um pássaro chamado gerigona. Mesmo que «não seja o seu opus último, esta ópera deve ser considerada como uma obra testamentária» (Internet, Claude Samuel, www.messiaen2008.com/biographie.php).

 

 

Fazendo uma ligação entre as cores, o canto das aves e o ritmo, criou, ao longo do século XX (morre em 1992) uma obra musical sui generis de temática quase exclusivamente religiosa, o que deu azo a muitos sarcasmos e críticas insultuosas a este compositor de inegável coragem num mundo dessacralizado e ateu.

A sua personalidade ímpar ofereceu ao século XX uma feição menos monolítica e consensual no que toca à crença numa espiritualidade de matriz cristã, alargando o espaço religioso que parecia estar irremediavelmente condenado a um silêncio, em que a audácia e o destemor não moravam mais.

 

27/2/2008

 

Teresa Bernardino*

* Assinou também pelo ortónimo Teresa  Ferrer Passos.

 

 

 

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