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TOMAS TRANSTRÖMER

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TOMAS TRANSTRÖMER PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA/2011
Nos encantos mágicos da ilha de Rummarö, Tomas Tranströmer que acaba de ser laureado com o Prémio Nobel da Literatura/2011, começou a construir um imaginário entre o sonho e a busca de respostas às suas emergentes interrogações. Interrogações talvez nascidas dos precocemente difíceis anos da sua infância. Entre a ausência do pai e a total presença de sua mãe, a personalidade de Tomas Tranströmer envereda pelos caminhos de uma profissão em que o trabalho de psicólogo se ergue como a escolha certa. Mas, a esta profissão que tenta ajudar cada pessoa a sair dos caminhos estreitos em que é tantas vezes encurralada, juntava-se o gosto pela música, pela pintura e, mais do que tudo, pela poesia. O seu primeiro livro de poemas intitulado 17 Poemas é publicado em 1954, tinha Tomas vinte e três anos. As ilhas da Suécia, a bela cidade de Estocolmo, onde nasceu, em 1931, e uma fina sensibilidade à palavra viva e imaginosa da poesia, transformariam o Psicólogo Clínico Tomas Tranströmer num dos poetas suecos mais apreciados. Infelizmente, devido à falta de uma selecção de autores estrangeiros pelas editoras portuguesas mais pela qualidade literária do que pelo critério, pouco sensato, do lucro comercial rápido, Tomas Tranströmer só teve a tradução, em Portugal, de alguns dos seus poemas, em 1980 (2ª edição em 1987), na Editora Vega (actualmente Nova Vega), com o título Vinte e Um Poetas Suecos - Antologia. A sua organização coube a dois poetas também: Ana Hatterly e Vasco da Graça Moura. Particularmente curioso o facto de os poemas seleccionados de Tranströmer incluírem um canto à beleza e à tradição de duas belas cidades portuguesas que o poeta conheceu nas suas viagens: Lisboa* e Funchal. Vítima de um AVC, em 1990, que o deixou com graves lesões motoras e da fala, Tomas Tranströmer voltaria a publicar, seis anos depois, mais três livros de poesia, sendo um deles intitulado O Grande Enigma: 45 Haikus. Imparável apesar da doença, toca todos os dias piano na sua casa localizada numa das ilhas da Suécia. Entre o surreal e a memória, entre a alma e o sentido da vida, ergueu-se uma poesia nova, em que o verso livre predomina. O encantamento pela pessoa humana e o fascínio pela natureza presentes em Tomas Tranströmer foram louvados, finalmente, pela Academia Sueca, como o seu mérito o fazia prever há vários anos.
S. Brás de Alportel, 7 de Outubro de 2011
Teresa Ferrer Passos
* Poema «Lisboa»
No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes. Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões. Acenavam através das grades. Gritavam que lhes tirassem o retrato. "Mas aqui!", disse o condutor e riu à socapa como se cortado ao meio, "aqui estão políticos". Vi a fachada, a fachada, a fachada e lá no cimo um homem à janela, tinha um óculo e olhava para o mar. Roupa branca no azul. Os muros quentes. As moscas liam cartas microscópicas. Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa: "será verdade ou só um sonho meu?"
Tomas Tranströmer (tradução de Vasco Graça Moura)
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