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POESIA

 

 

ROSA MARIA OLIVEIRA

 

POESIAS DA AUTORA

 

 

 

TRÊS POEMAS DE O VOO DA ENXADA

 

Exercício de escrita

 

Devo rever os versos

pede-me o mar no corpo

a morrer.

Porque são pobres

os livros junto à boca

nada dizem sobre a árvore

que dentro de mim avança.

 

Este dia é preciso, como exercício

de paciência,

de outro modo não acharei o voo

certeiro

límpido e veloz

que falta para o som

da mudança.

 

 

 

«Nasci para retribuir o amor

não o ódio»

Antígona

 

 

Em Tebas

 

Entre os mortos de Tebas

os ossos descobertos gemem

nas trevas.

 

Por que me temes,

se nasci para cobrir

de amor o coração desfeito?

 

 

 

Como elas as borboletas

 

Há uma vida para a escrita

amanhecendo com as borboletas

que nada sabem do dia

de amanhã.

Todos os dias se contam

as poucas palavras

que chegam à eternidade.

 

Como elas as borboletas.

Não temos tempo para surpreender

as ervas que nascem nos lábios

das crianças.

 

Ainda quando a escrita

pertence aos mortos

não temos pressa de morrer

tanto nos cega

o bater da enxada.

 

 

Fonte:Três poemas do livro da autora, O Voo da Enxada, edição da Junta de Freguesia de Vera-Cruz, Aveiro, 2004, pp. 12, 26 e 54.