ARCHOTES NA NOITE
por Fernando Henrique de Passos
SEIS ARCHOTES NA NOITE
Conheço o meu Caminho.
Por que não vou em frente?
Nem sequer estou sozinho…
Nem sequer estou doente…
Sou preso por que laços
Que não sei desfazer?
O que me tolhe os passos,
Me impede de correr?
É o apego ao nada,
É a amizade ao medo.
Em terra abençoada,
Transformo-a num degredo.
Mas vou olhar a luz
Que teima em me seguir
E, como quem seduz,
Deixar-me seduzir.
E vou abrir janelas
Na alma em si fechada
E já ébrio de estrelas
Fazer-me enfim à estrada.
E irei de mão dada
Aonde Deus quiser
Com minha terna amada,
Minha terna Mulher…
8/7/2008
QUARESMA
Se o ensimesmado
Em si se ensimesma,
Que seja acordado
Pela Quaresma!
Desça às profundezas,
Volte à tona d’água,
Livre das tristezas,
Liberto da mágoa!
Use o sofrimento
Como catapulta
Para novo alento,
E verá que exulta!
E jamais esqueça:
P’ra vencer a dor
A melhor promessa
É sempre o Amor!
7/2/2008
JANGADA DE AMOR
A tua alma encalhou dentro de ti
Mas há uma voz que te sorri
E te diz p’ra construíres uma jangada
(E reconheces a voz da tua amada…):
“Sou eu que te proponho:
Agarra-te aos restos do teu sonho
E deixa-te arrastar
Até onde ele te levar.”
Assim farei,
Mesmo sem saber onde aportarei.
E se acaso encalhar numa ilha abandonada
Sei que terei comigo a minha amada.
(E não preciso de mais nada…)
5/12/2007
MILAGRE EM S. BRÁS
Na escuridão canta um grilo,
A Lua brilha no céu.
O espaço é vasto e tranquilo
Como um grande mausoléu.
Mas nele fervilha a vida,
À espera de alguma coisa.
E anda uma ave perdida
Num vaivém que nunca poisa.
Imobiliza-se a ave,
Poisa por fim no lajedo.
O vento é mais que suave,
Mal agita o arvoredo.
A ave solta um trinado…
Muito mais que um rouxinol,
É um mago disfarçado:
Fez nascer de noite o Sol!
30/9/2007
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