+ POESIA DE FERNANDO HENRIQUE DE PASSOS

HARMONIA DO MUNDO

 

 

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POESIA

 

 

MISCELÂNEA (POESIA)

 

por Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

ARTRÓPODES

 

As patas pequenas, enceradas,

Velam pela correcção da luz,

Pelo desagravo das leis enxovalhadas,

Pela rectidão do caminho que conduz

Às verdes águas deslumbradas.

 

O lento tecer da ordem fina

Prevalece sobre o caos de antigamente.

Brilham carapaças na neblina

Que esbate ao de leve o sol poente

E orvalha a folhagem da bonina.

 

Pontos cintilantes e antenas

Tacteiam o musgo nos umbrais

Das portas abertas aos poemas

Que escrevem os pequenos animais

De patas felpudas e pequenas.

 

17/2/2012

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

PASSAGEM DOS SÉCULOS

 

Na sombra de um megalito,

De telemóvel na mão,

Um homem dentro de um grito.

Pedras lascadas no chão.

 

Um réptil alado voa

No verde opaco do céu.

Nas margens de uma lagoa,

Um grito num mausoléu.

 

Os ecos de velhos ritos

Se cruzam com madrigais

E punhais rasgam os gritos

De cadáveres digitais.

 

Só o sol tenta calar

O reverberar aflito

Da ânsia presa no ar

E do ar que encerra um grito.

 

5/2/2012

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

O BOSQUE ONDE DESCARTES FALECEU

 

A névoa perde o rumo.

Há urze rente ao chão.

Ao longe um fio de prumo

Pendendo em vão.

 

No chão um formigueiro.

E musgo nos penedos.

A faia e o pinheiro

Sopram segredos.

 

Há bússolas partidas,

Relógios em estilhaços

E réguas corroídas,

Rodas, compassos.

 

E líquenes azulados,

Raízes transparentes.

E fungos desbotados

E indiferentes.

 

E o cheiro dos medronhos

Embala e apazigua

Os indistintos sonhos

Da fria Lua.

 

25/1/2012

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

O PALÁCIO DO FIM DO MUNDO

 

O leão marinho

Que cavalgas

Num torvelinho

De algas.

 

A praia distante.

O sol tocando o mar

No instante

De o incendiar.

 

O sal no teu rosto.

As labaredas.

O rei deposto.

Trinta moedas.

 

A tua espada

Na tua mão.

Uma escada.

Um vulcão.

 

E cais.

Reages.

Chovem cristais.

Sangue nas lajes.

 

Lua cadente.

Uivos de feras.

Olhas em frente.

Esperas. 

 

23/1/2012

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

ECLIPSE

 

Os bêbedos lá fora, à porta do meu prédio,

Recitam Rimbaud à luz de archotes

Mas não conseguem ocultar o tédio

Que abrigam debaixo das dobras dos capotes.

 

A noite gargalha em espasmos doentios

Que sacodem a calçada e o asfalto

Mas do fundo dos seus olhos vazios

Não nasce um sobressalto.

 

Adormeceram os ébrios ao relento,

Cansados de Rimbaud.

Chegou a madrugada, soprada pelo vento,

Mas hoje o sol não se levantou…

 

17/1/2012

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

TALVEZ NO OUTONO

 

Suspensa no espaço do último suspiro,

Pela noite se prolonga a madrugada,

Entre o longínquo som de um tiro

E um alastrar de cinza prateada.

 

O fumo da espingarda, quase extinto,

Esfarrapa-se nos picos do silvedo

E sangra com cores de vinho tinto

E contrai-se num arrepio de medo.

 

O piar do mocho faz de fundo

Ao bailado da toupeira e do vampiro

E ao gemido do dia moribundo

Suspenso no espaço do último suspiro.

 

7/1/2012

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

HIPNOSE DO SOL

 

Espanto do céu monocromático.

Surpresa do verde desmaiado

Atrás do verde-escuro da floresta,

Acima do som distante de uma festa

E do crepúsculo entornado

No vale, sobre a erva e a lucerna,

Na realidade fria e externa,

Por baixo do sol quase apagado.

 

Espanto da luz do fim do dia,

Quietude do céu monocromático.

O verde treme, quase estático,

Enchendo o espaço de harmonia.

 

(E o último imperceptível espasmo de ânsia

Sucumbe no murmúrio da distância.)

 

2/1/2012

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

RUÍNAS GREGAS

 

Não há sombras no centro das ruínas,

Não é detida a luz por quaisquer muros,

Não há ciladas à espreita nas esquinas,

Nem há cantos escuros.

 

Podemos espreguiçar-nos, bocejar,

Olhar à volta, sorrir à Primavera,

Deixar a alma mergulhar

No fresco verdejar da hera.

 

Podemos esperar o tempo é largo

Saboreando o néctar de uma flor,

E esquecer o travo amargo

 

22/12/2011

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

DA RETAGUARDA

 

Para lá do caminho das palmeiras,

Depois do sol poente,

Estendem-se as dunas, as trincheiras,

E o delírio do luar dolente.

 

Um longo carreiro de formigas

Percorre o areal

E rompe as linhas inimigas

E bebe o cheiro a sal.

 

Deserto à beira-mar,

O odor da pólvora que se desvanece,

Canhões, medalhas, em lento enferrujar,

O eco dos gemidos que permanece…

 

17/12/2011

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

NATAL 2011

 

Tempo polar.

Facas de gelo

Cortam o selo

Deste mal-estar.

 

Que transparente,

Quase a rachar…

Que frio lunar

Luminescente.

 

Pálida luz,

Vinda de longe.

Ao longe um monge

Sob o capuz.

 

Luz nevoenta.

Estrelas caídas

Nas avenidas

Em morte lenta.

 

Mas, de repente,

Transformação:

O Inverno é Verão,

O frio é quente!

 

Tempo-sinal,

Tempo-promessa:

Jesus regressa,

É o Natal…

 

7/12/2011

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

PESSOA DEPOIS DA FEIRA

 

Troveja.

Lá fora,

No jardim que não é nosso,

Chora

A nossa roseira.

Surge Pessoa.

Com o poema “Depois da Feira”

Enxota as gotas de chuva

Que lhe querem poisar na gabardina.

A noite é encharcada pela chuva fina.

Reflectem-se os relâmpagos

Nos pessoanos aros circulares.

O silvo de um comboio difracta-se nos ares.

As quatro sombras no jardim

Colhem ideias, rosas, palavras, alecrim.

Mas ferem-se num espinho.

Troveja.

Lá fora,

No jardim que não é nosso,

Chora

O poeta ensimesmado.

E escreve.

Mas o seu grito não é escutado.

 

8/12/2011

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

SINESTESIAS

 

Cintilações no escuro,

Eis o que vejo.

E o cheiro a lenha queimada

Muito ao longe.

E o som de sapatos sobre a neve.

E o sabor do cigarro a consumir-se

Lentamente entre os meus lábios.

E a textura macia da lã

No ninho a que não chego.

Vejo na noite.

Apago o canto das cigarras

De um outro verão.

Fecho-me dentro deste inverno

Com janelas para o interior de salões iluminados

Por lareiras que ninguém acende.

O som da luz dos pirilampos

Cheira a caruma e é tão suave

Como o sabor dos espinhos

Que ferem sem saber.

E o brilho voraz do olhar dos lobos

Morde os troncos dos pinheiros decepados

Com restos de ramos vergados sob o peso

De manchas de sangue rutilante.

A chama das lareiras sabe a ontem.

O som da solidão daquela noite

Tem o toque do cachecol almofadado.

A chaminé saboreia a escuridão.

Há fumo e nevoeiro e cheiro a terra.

O patim caído sobre o lago

Tacteia a fenda,

A aresta onde o tempo desagua

Desatando os diques de Rembrandt.

E a lua morde o tumulto das torrentes

E ouve o verde azulado das folhas sob a cinza

E a textura da terebintina da tela do pintor

Que sente tudo e tudo rasga

Quando a brecha de azeviche na pintura

Grita que quer tomar o vermelho nos seus braços

E corta a faca que goteja a tinta

Do pincel do pintor cego

Enlouquecido

Por não saber pintar o som do vento

Quando este se mistura com o medo

E traça sulcos invisíveis na vidraça

Que separa os dois lados da noite.

Mas ninguém sabe a qual dos lados

Pertence aquele olhar

Que penetrou mais fundo do que o espaço

E assim decretou o fim dos dias.

 

2/12/2011

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

ENTRETANTO

 

Entre o nada e o vazio

Nado por horas a fio.

Entre o nada e a parede

Bebo dois copos de sede.

Entre a espada e o Cadillac.

Travo a fundo no caiaque.

Entre o fim e o precipício

Declaro aberto o início.

Entre o lustre e o salão

Entorno a sopa no chão.

Entre o doce e as entradas

Sento-me a grelhar torradas.

Entre o mar e a maré

Suspiro por capilé.

Entre a borla e o capelo

Vou desgrenhando o camelo.

Entre o ângulo e o prumo

Gargarejo com o sumo.

Entre a estrada e o asfalto

Desembrulho um sobressalto.

Entre o arbusto e a copa

Agasalho bem a roupa.

Entre o verso e a poesia

Abro um buraco no dia.

Entre a seca e a torneira

Gota a gota encho a chaleira.

Entre o jardim e o monte

Lavro e cavo o horizonte.

Entre a paz e o canal

Acho que o mundo vai mal.

Entre a rolha e o delírio

Escuto o prazo do colírio.

Entre o afia e o quadro

Escrevo nas lajes do adro.

Entre o papel e o ofício

Meto o pato no hospício.

Entre a boca e ir a Roma

Junto Nero com Mafoma.

Entre o princípio e o fim

Acabo e começo assim.

 

26/11/2011

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

VILA PERDIDA NA SERRA

 

Um crepúsculo sob o sol do meio-dia

Quando a luz jorrava e se embebia

Nos muros de velha alvenaria.

 

Um metal transparente e cinzelado

Trespassando as casas lado a lado

Sob o olhar do ar morno e parado.

 

As fitas coloridas, serpentinas

De rios borbulhando entre ruínas

E gemendo com vozes femininas.

 

E tudo à procura de um sentido

Mas procurar é um verbo proibido

E ninguém resgata a vila do olvido.

 

3/3/2011

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

O OFÍCIO DE PENSAR

 

Vou à procura

De segredos há eras soterrados.

Devo mergulhar na Substância Escura

E, com instrumentos aguçados,

Desvendar-lhe a estrutura.

 

Não procuro uma palavra ou uma imagem.

Devo por isso ser como cego e surdo

Ao dar início à viagem

Pelo subterrâneo absurdo,

Pelo mundo sem paisagem.

 

A Substância Escura é o lugar,

O Vazio é o átrio que lhe dá acesso,

E é esse átrio que eu devo atravessar.

Dizem que de lá não há regresso,

Mas eu tenciono regressar…

 

7/10/2010

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

AGRIMENSOR DE SOMBRAS

 

ao agrimensor K.

 

Percorro as ruínas,

Tempos ancestrais,

Respiro as neblinas,

Fumos outonais.

 

Procuro um achado,

Algum cofre oculto,

Um resto selado

De um antigo culto.

 

Perco-me na sombra,

Nas formas esguias

Da noite que tomba

Sobre as lajes frias.

 

Mas a lua brilha,

Prossigo a procura.

Meço milha a milha

Toda a ilha escura.

 

E somo distâncias

E quadro os totais

E vêm-me ânsias

De aí ver sinais.

 

A lua apagou-se.

(Se sobrasse um raio,

Um raio que fosse,

Pra ser meu lacaio…)

 

Meço a profundeza,

Vou medindo ainda,

Desta noite presa

De uma treva infinda.

 

Meço lajes frias,

Colunas tombadas,

Janelas sombrias,

Corpos de alvoradas.

 

Sei que esta é a cura,

O fio que conduz

À gnose futura,

À futura luz…

 

28/5/2010

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

CINZA, PÓ E NADA

 

Somos cinza, pó e nada,

Berço da palavra “sem”,

Vento uivando numa estrada

Onde não passa ninguém.

 

Somos cinza, pó e nada,

Uma fenda no vazio,

Sombra de luz apagada,

Leito onde não corre rio.

 

Somos cinza, pó e nada,

Apollo 11 sem Lua,

Casa velha abandonada

Onde a noite desagua.

 

Somos cinza, pó e nada,

Um espantalho no deserto,

Uma feira desarmada

Num dia vago e incerto…

 

Mas quando a noite se cerra

E quando o céu fica mudo,

Mesmo assim minha voz clama:

Pois que o pó volte a ser terra,

Que a cinza volte a ser chama,

Que o nada volte a ser tudo!

 

23/5/2010

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

SOLSTÍCIO DE VERÃO

 

É o solstício de Verão,

Volto aos rituais antigos.

Eis-me de novo pagão,

Com monges por inimigos.

 

Eis que tudo recomeça,

E volto ao meu velho ofício.

Montarei, peça por peça,

Um fabuloso edifício.

 

Mas a quem ofertarei,

Quando finda, a construção?

Irei dá-la ao Cristo-Rei!

Eis-me de novo cristão!

 

21/6/2009

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

VIAGEM SEM FIM

 

Se o medo te deixa doente,

Vai em frente

De olhar fixo na lonjura

Até sentires que chega a cura.

Se achas que parar se torna urgente,

Vai em frente

E torna o teu passo mais cadenciado

Até deixares de estar cansado.

Se a dor que te toma é pungente,

Vai em frente

Repetindo sem cessar uma oração

Até que a dor seja paixão.

Se enfrentas um monstro repelente,

Vai em frente,

Mata a criatura daninha

E mete de novo a espada na bainha.

Se deparas com um maciço imponente,

Vai em frente

E rebenta o muro da Realidade.

Os teus olhos contemplarão enfim toda a Verdade

E ficarás contente.

Mas não pares ainda – deves continuar a ir em frente…

 

6/5/2009

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

O JOGADOR

 

O jogador joga a cartada derradeira:

Aposta o que não tem.

O fim está à beira:

Já perdeu tudo; já não é ninguém.

 

Les jeux sont faits,

Diz o croupier.

O jogador sai pé ante pé.

Sente-se em paz sem saber porquê.

 

(E a bola salta na veloz roleta,

Mas o jogador já não está ali.

Dorme ébrio de Deus na fria valeta.

Vela-o, a seu lado, Jesus, que sorri.)

 

8/2/2009

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

NATAL 2008

 

É Natal e há crise financeira,

O dinheiro evapora-se nos ares,

Vendem menos as lojas, os bazares…

Quem enche os sapatinhos na lareira?

 

Mas a maior pobreza que há no Mundo

É falar-se tão pouco de Jesus:

Um silêncio de trevas que reduz

A alma a lume negro a ir ao fundo.

 

É Natal e há crise financeira:

Este vazio saibamos nós usar

Para erguermos em nós um santo altar

À noite que é de todas a primeira!

 

12/12/2008

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

SEIS ARCHOTES NA NOITE

 

Conheço o meu Caminho.

Por que não vou em frente?

Nem sequer estou sozinho…

Nem sequer estou doente…

 

Sou preso por que laços

Que não sei desfazer?

O que me tolhe os passos,

Me impede de correr?

 

É o apego ao nada,

É a amizade ao medo.

Em terra abençoada,

Transformo-a num degredo.

 

Mas vou olhar a luz

Que teima em me seguir

E, como quem seduz,

Deixar-me seduzir.

 

E vou abrir janelas

Na alma em si fechada

E já ébrio de estrelas

Fazer-me enfim à estrada.

 

E irei de mão dada

Aonde Deus quiser

Com minha terna amada,

Minha terna Mulher…

 

8/7/2008

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

QUARESMA

 

Se o ensimesmado

Em si se ensimesma,

Que seja acordado

Pela Quaresma!

 

Desça às profundezas,

Volte à tona d’água,

Livre das tristezas,

Liberto da mágoa!

 

Use o sofrimento

Como catapulta

Para novo alento,

E verá que exulta!

 

E jamais esqueça:

P’ra vencer a dor

A melhor promessa

É sempre o Amor!

 

7/2/2008

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

JANGADA DE AMOR

 

A tua alma encalhou dentro de ti

Mas há uma voz que te sorri

E te diz p’ra construíres uma jangada

(E reconheces a voz da tua amada…):

 

“Sou eu que te proponho:

Agarra-te aos restos do teu sonho

E deixa-te arrastar

Até onde ele te levar.”

 

Assim farei,

Mesmo sem saber onde aportarei.

E se acaso encalhar numa ilha abandonada

Sei que terei comigo a minha amada.

(E não preciso de mais nada…)

 

5/12/2007

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

 

 

 

 

MILAGRE EM S. BRÁS

 

Na escuridão canta um grilo,

A Lua brilha no céu.

O espaço é vasto e tranquilo

Como um grande mausoléu.

 

Mas nele fervilha a vida,

À espera de alguma coisa.

E anda uma ave perdida

Num vaivém que nunca poisa.

 

Imobiliza-se a ave,

Poisa por fim no lajedo.

O vento é mais que suave,

Mal agita o arvoredo.

 

A ave solta um trinado…

Muito mais que um rouxinol,

É um mago disfarçado:

Fez nascer de noite o Sol!

 

 

30/9/2007

 

Fernando Henrique de Passos