PAULO JORGE BRITO E ABREU

Paulo Jorge Cardoso de Oliveira Brito e Abreu, de seu nome completo, nasceu na cidade de Lisboa, a 27 de Maio de 1960. Além de cantor, ele é Poeta, conferencista, ensaísta, filósofo e crítico literário. Licenciou-se, em 1986, em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. A 30 de Novembro de 1999, Brito e Abreu recebeu, vindo do Brasil, o título de Sócio Correspondente da Academia Carioca de Letras, tendo-lhe sido outorgada, no ano 2000, pela União Brasileira de Escritores, a Medalha Peregrino Júnior, «por seu admirável labor de intercâmbio cultural». Em 2006, pelo conjunto da sua actividade como Escritor e publicista, a Escola Secundária D. Diniz concedeu-lhe, adrede e com ardor, a láurea simbiótica e medalha simbólica. Por o atro e o estertor da Pátria em que nasceu, fez Paulo Jorge Brito e Abreu, recentemente, frente à estátua de Gualdim Pais, em Tomar, um voto perante Deus e o juramento Templário. Livros Individuais: Cântico Jovem para a Tua Rebelião, 1984; O Bafo do Dragão, 1987; A Minha Tropa Foram os «Rolling Stones», 1989; Agricultura Celeste, 1992; Loas à Lua, 1996 (2ª edição, 2000); O Livro e a Lavra, 1999 (inclui o Cântico Jovem para a Tua Rebelião); Ignota Fauna, 2005.

O Autor tem assinado os seus livros por Paulo Brito e Abreu. Acrescentou, recentemente, mais um antropónimo à sua assinatura.

 

 

 

 

 

 

LOAS E LAIS A FERNANDO PESSOA

 

                       

 

I

 

Eu leio, até ao lai, tua Poesia

Que legaste a nós outros, e ao Graal,

Modernista do Verbo e da estesia,

Maravilha da «Ode Triunfal».

 

Guardador de rebanhos e palavras

Que foram qual abraço e qual o Hermes,

Da Rosa, verde lenho e verdes águas,

De ingénitas, irónicas e lemes,

 

Tu lias, ao crepúsculo, o experto

Cesário sentimento nosso Mestre,

E eu leio, ao lusco-fusco, o «A» de Alberto,

Que é símil ao Pastor e ao silvestre.

 

Se a sêmea foi «Orpheu» numa Lisboa,

O sémen é Infante que apaixona;

Se lúdica é a barca, ó tu, Pessoa,

Ajuda-me a trovar uma «Persona».

 

 

II

 

Marítimo é o viático ou viagem

Nas Índias duma nave mais etérea,

Que a Musa tem a gema, e, na «Mensagem»,

A mente vai agir sobre a matéria.

 

Em Gólgota glosavas a semente,

Em Crânio cavalgavas esse potro;

A mântica era a meta, e tua mente,

O discurso d’amável e do Outro.

 

Que eu sinto, meu Amigo, o teu exemplo,

Coas tábulas falando o magistério:

Se a forma de Ulisseia é tal e templo,

Descubro, na Palavra, o Quinto Império.

 

 

III

 

E, se a gema do Mestre é sal e pão,

Se «Opiário», foi alucinogénio,

Não façam, só da «pólis», a prisão,

Não matem, outra vez, o verde Génio.

 

 

Lisboa, Janeiro de 2004*

*Inédito enviado pelo autor em 10/8/2008

 

 

 

 

MADONNA

 

Senhora, se no Sol duma cantiga

Pra mim há doce Luz, que ando a penar,

Dá-me novas do mel, da minha Amiga,

À corda, guia, dá o lumiar.

  

Que já, no augusto sólio, Amor me siga,

Que os róseos Cupidinhos sejam lar,

Amor da doce Fátima, quadriga

Da via d’água, terra, fogo e ar.

 

E pede ao Teu menino, minha barca,

Que o Céu nunca se aparte, ó flor, de nós!!!

Que as lindas margaridas sejam marca,

 

Se inflamem Nise e Vénus pela foz,

Que fia a minha loura o véu da Parca,

Senhora, que é tão rouca a minha voz.

 

 

Tomar, 23/ 09/ 1999

 

AD MAJOREM DEI GLORIAM

 

 

 

 

PRIMAVERA PASCAL

 

à Ordem da Milícia dos Cavaleiros do Templo

à Hermética Irmandade dos Amigos da Luz

 

Só da Luz, quero a Luz e muita Luz,

Que ela é Pão, que ela é prémio prò dolente…

Ela é Nova, ela é noiva, eu digo sus!

Coragem para o pobre e o doente.

 

Só da Luz. Só d’Amor, em farta Vinha,

O Sol agora vem, e é bem-vindo…

Ai cânticos e frol duma andorinha!

O dia é Primavera, eu digo lindo!

 

Só da Luz, minha leda, e só do Vate:

Vem d’amora, de poma e vem de véu…

Vem comigo, a lidar o bom combate:

Eu n’asa dos teus olhos, vejo o Céu.

 

 

 

 

 

 

CELESTE MÃE

 

Eu vi d’Amor vestida essa donzela

Com rosas nos cabelos cor de ouro…

Ela vinha-me dar um bom agouro,

Ela vinha cessar minha procela.

 

E disse pra mim mesmo: «Quem é Aquela

Por quem os Amorzinhos fazem coro?

Será a tal? Será o meu tesouro?

Quem é que vem na noite meiga e bela?»

 

Ela me disse: «Eu sou a Mãe do pobre

Nascido como poucos pra ser nobre

E pra reinar no meio das estrelas…

 

Não me temas, meu filho, eu sou a Rosa

A quem tu chamas Mater Dolorosa

E venho terminar tuas procelas.»

 

 

 

 

SÉTIMO SALMO

 

 

Amor, que homílias unes e adunas

Por veredas da casa, eclesial,

Acidália pousada sobre as dunas

Ou nas águas do tálamo Ideal...

 

 

Amor, que és o almagre e sumaúma,

Amor, em tom cereja d'organdi,

Penso em Ti, na alvorada que ressuma

E à Noute, madrugada, penso em Ti.

 

 

Ericina do Eros, Citereia,

Divisa aqui o divo e o dilecto:

Que farta fonte serve uma sereia!!!

Que de mirto, em Arcano e Arquitecto!!!

 

 

Amor, em cujas aras eu sou crente,

Menina, que és Maria, ou que és matina,

Tu olha-me do nicho, sorridente,

E seja o Teu sinal a minha sina.

 

 

Tomar, Cidade Templária, 09/11/2007

 

 

 

DOS MENINOS DA LUZ

 

 

Bati à porta, achei o Porto

E o Padre me abençoa……

Não estou vivo, nem estou morto:

Vou sonhando com Pessoa.

 

 

Mas no vento, e palimpsesto,

Vate há lá, que é Vaticano:

Só do Mano Ele é Humano;

Se um mais seis, décimo sexto,

 

 

Mencionemos, professemos,

Cavaleiros, e liemos:

 

 

Ai que tanta Frol e Nada

Feita em Sol, humiliada,

 

 

Ai que tanta Maya ou menos,

Ai que tanto o Sul e menos…

 

 

Marchemos!!!!!

 

 

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