Fernando Botto Semedo nasceu, em Lisboa, no dia 18 de Junho de 1955. É Licenciado em História. Membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE), o autor foi objecto de Crítica Literária de João Gaspar Simões, António Cândido Franco, Teresa Ferrer Passos, Maria Estela Guedes e João Rui de Sousa, entre outros.

Alguns dos seus trinta e um livros publicados, exclusivamente na área da poesia, desde 1982: Ágoas Livres (1982); Palco de Sombra (1989); Mar Infinito (1992); Poemas do Silêncio (1996); Vintém das Escolas (2002); Poemas de um Livro Rasgado (2007).

FERNANDO BOTTO SEMEDO

 

 

 

A noite é de luz e vem silenciosa e branca

 

 

 

A noite é de luz, e vem devagar,

Com sua alma branca e silenciosa,

Com as suas comovidas e misteriosas lágrimas,

Acolher-se à minha alma sem luz,

À minha alma sonhando com a casa eterna,

Do amor e da comunhão com o Deus infantil,

Que jamais revelou o seu rosto, talvez

Cicatrizado pela dor e por uma infinita saudade.

 

 

A noite é de luz, e vem devagar,

Com a sua feminina presença vestal,

Com o seu infinito bailado de galáxias

Do desconhecido, com os seus brinquedos quebrados

Numa infância destruída, acolher-se à minha alma sem luz,

À minha materna alma, para um eterno

E branquíssimo poema, com a sua partitura nítida

Na invisibilidade que me cega.

 

 

 

7/06/2002

(poema inédito)

 

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Ó-AVENIDAS-DE-SORRISO *

 

 

 

Ó-Avenidas-De-Sorriso-

Ó-Avenidas-De-Exposição-

Ó-Arbustos-De-Um-Lugar

 

Ó-Catedrais-De-Uma-Súplica-De-Seiva-

Ó-Mil-E-Uma-Noites-Contíguas-

A-Um-Sonho-Florindo

 

Sonho-De-Infinito-Sonho

 

* In Fernando Botto Semedo, Cais-De-Uma-Vez, Lisboa, 1989, pág. 77.

 

 

 

 

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