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O "MAGALHÃES" E A CULTURA INFANTIL

Alunos a trabalhar com o "Magalhães"
Os
alunos de uma escola do 1º ciclo do ensino básico,
em
Setembro de 2008, começaram a utilizar o
computador portátil "Magalhães", de
concepção portuguesa, após a distribuição deste, pelo
Primeiro-Ministro, Eng. José Sócrates.
A
Venezuela adquiriu, na ocasião, um milhão de
exemplares
−
visita oficial a Portugal do Presidente Hugo Chávez
−
destes
mágicos auxiliares de estudo, para crianças.
A 3 de
Outubro, o Primeiro-Ministro assinou um contrato com
o Presidente Executivo da Microsoft, Steve Ballmer,
com vista ao fornecimento de software e conteúdos,
etc, para aplicação no "Magalhães".
Trata-se de um computador portátil feito em Portugal
pela empresa J. P. Sá Couto, só a pensar nas
CRIANÇAS,
entre os seis e os dez anos.
A
modernização da sociedade portuguesa não pode deixar
de começar pelo sector industrial, o principal motor
do enriquecimento das nações. Uma lufada de ar
fresco entra, desde já, nas escolas portuguesas.
O
projecto científico-tecnológico do Governo do Eng.º
José Sócrates poderá começar, sem dúvida, a ganhar
visibilidade internacional, muito em breve, se
houver uma eficaz divulgação no estrangeiro, deste
instrumento tecnológico para as crianças.
Uma
verdadeira transformação na política de
produtividade, em Portugal, está em curso. Que seja
bem sucedida.
Que o nosso país volte a ter os
benefícios que conquistou com a industrialização
levada a cabo pelo Marquês de Pombal,
Primeiro-Ministro do rei D. José I.
3 de Outubro de
2008
Teresa
Bernardino
A ESTRANHEZA DO
ALTRUÍSMO
Para a ciência, o altruísmo é uma coisa
bizarra. É assim há séculos, mas sobretudo
desde a aceitação da teoria da evolução de
Darwin, com o seu mecanismo eminentemente
egoísta da “sobrevivência do mais apto”.
Segundo algumas opiniões, três físicos
teóricos portugueses (Francisco C. Santos,
Marta D. Santos, Jorge M. Pacheco, “Social
diversity promotes the emergence of
cooperation in public goods games”, Nature, Vol. 454, No. 7201, pp. 213-216)
deram um passo importante para a explicação
do altruísmo do ponto de vista científico. A
sua ideia foi introduzir uma nova variável
nos modelos matemáticos comummente
utilizados para tentar descrever as
sociedades humanas. Essa nova variável é a
diversidade social ou, para sermos mais
exactos, um aspecto dessa diversidade, a
saber, o diferente número de conexões que
cada indivíduo tem com os restantes. A
abordagem parece-nos artificial. Enquanto
não surgir uma proposta mais sólida,
preferimos continuar a acreditar que há
coisas no ser humano que transcendem e
sempre transcenderão a ciência.
Fernando Henrique de Passos
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Ω
«DEUS, QUEM É?»
«(...) As pessoas, e de modo geral o casal
heterossexual, monogâmico e sacramentado que dialoguem,
escutem a Deus e uns aos outros, para descobrir e
viverem do amor e no amor sob as várias formas
complementares e integradoras do projecto de Deus (eros,
filia e agapé) −
ou seja que se completam
revelando o Criador e o Salvador como Amor que
desenvolvem nas relações de amor solidário: acolhem-se,
escutam-se, descobrem-se e completam-se na comunicação e
comunhão de vida, traduzida na vida familiar,
profissional, a participação social e do voluntariado.
Efectivamente amar é assumir a vida como adequado
serviço dos outros, como dom recebido de Deus que
devemos imitar servindo (...) Para que o nosso amor seja
dinâmico e progressivo, é essencial acreditar que Deus é
Amor para nos deixarmos amar em verdade ee nos tornarmos
capazes de purificar a memória e perdoar para bem
acolher e ver, com competência e clarividência fraterna,
o que é urgente fazer como resposta às dificuldades
ocorrentes. E é normal que o amor esclarecido e eficaz
seja fonte de comunhão, de alegria partilhada, da
felicidade da paz autêntica (...)»
Frei Bernardo Domingues
Fonte: Frei Bernardo Domingues «Deus, quem é?», in
Revista
de Espiritualidade, nº 60, Out./Dez.2007, Edições
Carmelo, Marco de Canavezes, pág.319, 320.
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Ω
UM OLHAR ALGARVIO, OLHARES ILHÉUS E ESPAÇOS MUSEOLÓGICOS
Algumas notas de
Cristino Cortes
*

Ria Formosa, Olhão, Faro
(Algarve)
«(...) A
minha maior surpresa [estranhamente, chamam-lhe Ria
Formosa], no entanto, está no sapal − como admitir que
esta zona de "lagos" e pântanos é uma riqueza agrícola e
piscatória, uma maternidade de aves e de peixes e,
simultaneamente, um espectáculo para a vista?! Deste
último aspecto prescindo: não me parece que seja um
aspecto muito agradável o que estes charcos e pântanos,
meio terra meio água, à vista desarmada oferecem às
cidades que envolvem – e dos cheiros [pestilentos, por
vezes] que lhes emprestam em dias de determinada
direcção do vento também não poderei dizer nada de
positivo ou recomendável...»

Ilha Terceira, Açores
«(...) Para mim
a ilha Terceira é a terra de Vitorino Nemésio – facto
que ele orgulhosamente inscrevia no frontispício de
alguns dos seus livros – e só por isso se justificaria
fazer-lhe uma demorada visita. (...) A Terceira é, pois,
a terra de Vitorino – , mas é também a cidade de Angra
do Heroísmo, património mundial reconhecido pela Unesco,
e é ainda a Base das Lajes. (...) ali se alberga,
permanentemente, um destacamento das forças armadas
norte-americanas. (...) O hóspede é rico, mas está em
casa alheia – é bom fazer-lhe sentir essas distâncias,
ele é nosso convidado, dá-nos jeito, mas não mais do que
isso.»
«(...) Uma das
grandes finalidades das visitas museológicas, o secreto
desejo de cada um, é a elucidação da maneira como teria
sido a vida de certas classes há alguns séculos atrás,
em meios que hoje só pelo estudo e investigação podemos
reconstituir com maior ou menor dificuldade.
Especificamente para a arte − para o
conjunto das chamadas "belas-artes" − a situação é um pouco diferente.
Basta lembrar que uma das suas principais funções é o que se
convencionou chamar o "culto do belo", o qual se conseguiria através da
"educação do gosto".
Deste ponto de vista estão, talvez, esses
museus mais directamente relacionados com o sistema de ensino; eles
dirigem-se mais a estudantes das disciplinas artísticas, a pintura e a
escultura tradicionalmente, sem prejuízo de essa ser uma matéria em que
todo o homem bem formado deve ter conhecimentos e interesse. É que o
gosto também se educa, e durante toda a vida é tempo de evoluir e
aprender.
(...) Os museus
deixaram de ser, assim, votados exclusivamente ao
domínio artístico. Eles passaram a incorporar a
representação das mais diversas facetas do modo de
viver: das artes decorativas aos vestígios
arqueológicos, do mobiliário ás louças e porcelanas, dos
desaparecidos ofícios à arte da guerra, da história
local ao perfil de individualidades que se notabilizar
am
no seio das suas comunidades − e certamente muitos
outros.»
Fonte: Cristino Cortes,
Viagens... Marés e Memórias,
Papiro Editora, Porto,2007, pp.105-106, 118-119, 142-143.
*
Cristino Cortes é Licenciado em
Economia. Nasceu, em 1953, em Fiães (Trancoso), residindo nos arredores
de Lisboa, desde 1971. Publicou vários livros de poesia como, por exemplo,
Nas margens do Hades (Edições Átrio, 1993),
Em Lisboa, pelo Natal... (Ulmeiro, 1995), Cronologia e outros
Poemas (Livro Aberto,2005). Na área do ensaio
deu à estampa Relances de Maré e Vida (Universitária Editora, 1998),
Novos Relances de Maré
e Vida (Universitária Editora, 2003 ), Viagens...
Marés e Memórias (2007). Actualmente, tem
colaborado com artigos de opinião no Suplemento
«das Artes das Letras» de O Primeiro de Janeiro. Tem também
organizado antologias e conferências. A sua actividade profissional é
exercida no âmbito do Ministério da Cultura.
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Ω
BENAZIR BHUTTO ASSASSINADA
PELOS INIMIGOS DA DEMOCRACIA
NO PAQUISTÃO
A morte esperava
Benazir Bhutto, líder do Partido Popular Paquistanês, após o
comício de 27 de Dezembro, realizado em Ravalpendi, perto da
capital do país, Islamabad. As eleições marcadas para o dia 8 de
Janeiro de 2008, conduziram aquela que foi Primeira-Ministra do
Paquistão por duas vezes, a uma dinamização das suas actividades
políticas. Tal como seu pai, fundador do PPP, seria vítima
daqueles que preferem que a sua Pátria viva sob a alçada de
ditaduras militares. Tinha escapado de uma outra tentativa de
assassinato, bem recentemente, e que provocou a morte de mais de
cem pessoas na cidade de Carachi (18 de Outubro). Desta vez,
Benazir foi alvejada com tiros que lhe atingiram o pescoço e o
peito. Com ela morreram mais vinte pessoas, quando suicida-bomba
que a alvejara se fez explodir na sua sede de morte.
Benazir Bhutto,
filha do fundador deste partido defensor dos ideais
democráticos, vira seu pai Z. Ali Bhutto, ser deposto de
Primeiro-Ministro e condenado à morte em 1979, após um golpe de
estado militar chefiado por um general. Em 1988, o PPP ganha as
eleições e Benazir Bhutto assume a chefia do governo
paquistanês. Torna-se assim a primeira mulher a chefiar um
Governo num país muçulmano. Deposta dois anos depois sob
acusações de corrupção, volta a ser reeleita no acto eleitoral
de 19 de Outubro de 1993. Mais uma vez, o poder é tomado pelos
militares e as mesmas acusações justificam o assalto ao Poder
político.
Exila-se em Londres.
Apesar dos desaires que foi sofrendo após ter visto seu pai cair
quando da ascenção ao poder dos militares, não perde a esperança
de regressar ao seu país para o libertar das garras sangrentas
daqueles que só acreditam no poder das armas, e rejeitam as
ideias daqueles que apenas usam o poder da palavra para
construir um país livre, um país em que os pobres possam ver nos
seus governantes a garantia da sua defesa e não déspotas
sustentados pela força das armas.
A "líder dos
paquistaneses pobres", como ela própria se auto denominava, caiu
sob o peso das armas que abate, inclemente, todo aquele que não
se serve de tais meios. Mas não conseguiram nem conseguirão
calar a força anímica desta Mulher, sejam quais forem as armas
que usem. Benazir Bhutto não temia a morte e, por isso,
defrontou os inimigos da democracia, arriscando perder a vida.
Seu filho mais
velho, agora com dezanove anos, irá suceder-lhe na direcção do
Partido Popular Paquistanês, conforme ela deixou escrito,
duvidando já de poder levar até ao fim a sua missão. O destino
marcou a hora da sua morte, mas as palavras que os adeptos da
democracia no Paquistão escutaram não serão esquecidas, tal como
os seus manuscritos e as suas publicações não serão papeis
esquecidos.
O exemplo de Benazir
Bhutto mostrou ao mundo que a vida não termina com a morte. Com
o seu heroísmo, a sua vida vai agora ser olhada como uma pedra
lançada no charco da injustiça. A sua vida vai ganhar a dimensão
daqueles a quem a morte não consegue fazer esquecer, e muito
menos recuar perante o cobarde e implacável inimigo. O ideal de
justiça social e de solidariedade para com os mais
desprotegidos, que só o regime democrático augura, não serão
palavras vãs no Paquistão do futuro.
30 de Dezembro de 2007
Teresa Ferrer Passos
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Ω
AUNG SAN
SUU KYI, A BIRMÂNIA E A PAZ
Aung San Suu Kyi nasceu na
Birmânia, em 1945. Seu pai, herói da independência do país, foi
assassinado quando ela tinha apenas dois anos.

Aung San Suu Kyi
Submetido a uma férrea ditadura
militar, a Birmânia (desde então denominada Myanmar) viu milhares de
adeptos da democracia serem presos, torturados e mortos.
Em 1988, houve a notícia de dez
mil pessoas mortas, em consequência da repressão dos militares no poder.
Fundadora da Liga Nacional para a
Democracia, Aung San Suu Kyi ganhou as eleições por uma maioria
esmagadora, em 1990. A escolha dos eleitores foi desrespeitada.
Em 1991, era-lhe atribuído
o Prémio Nobel da Paz, por todos os seus corajosos esforços em prol dos
Direitos Humanos na sua pátria.
Sufocada a tentativa de
democratização do país, Aung San Suu Kyi ficou em prisão domiciliária
até aos dias de hoje.
Recentes manifestações de rua,
tiveram como apoiantes os próprios monges budistas, o que levou a mais
uma brutal repressão exercida pelo regime militar. Mosteiros foram
invadidos, monges assassinados e muitos outros privados da liberdade.
Quando é que as eleições
democráticas e a escolha dos votantes são respeitadas?

Budistas aprisionados num mosteiro
A Comunidade Internacional não
tem peso e prestígio para repor a Ordem Democrática e os Direitos
Humanos, em Myanmar, a antiga Birmânia?
O mundo que se diz a favor dos
direitos humanos, não consegue vencer as ditaduras férreas que
proliferam em vários Estados, entre os quais está a Birmânia, há tantos
anos?!*
3/10/2007
Teresa Ferrer Passos
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Ω
PALAVRAS
DO DALAI LAMA *
«O mundo está a tornar-se cada vez mais pequeno
devido a diversos factores e nomeadamente ao desenvolvimento das
comunicações. Este movimento trouxe também uma maior aproximação
entre confissões religiosas e culturais diferentes.» (...)
«Diz-se
que um inimigo é o nosso melhor mestre. Quando seguimos os mestres,
aprendemos a importância da paciência, mas não temos oportunidade de
aprender a ser pacientes. O desenvolvimento efectivo da paciência só
ocorre quando nos confrontamos com o inimigo.»
(in
Dalai Lama, Sabedoria Infinita)
* O XIV Dalai Lama, nasceu a 6 de Julho de 1935, oriundo
de uma família de camponeses, numa pequena aldeia de Taktser no Nordeste
do Tibete. Foi reconhecido aos dois anos como a reencarnação do seu
predecessor, o XIII Dalai Lama. (...) Na última década, tentou
estabelecer o diálogo com os chineses. Propôs o Plano de Paz em Cinco
Pontos em 1987-88 que teria podido estabilizar toda a região asiática e
foi louvado por estadistas e especialistas em legislação no mundo
inteiro. Mas os chineses ainda não entraram em negociações (excertos da
"Introdução" de Rinchen Dharlo ao livro citado).
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Ω
«Rezemos
hoje esta oração composta por uma
mulher com uma grande
sensibilidade poética e
com um apurado senso da fé:
"Eu sei, Senhor
que nada acontece por acaso
Pelo meu caminho prossegui
segura de ti, na insegurança de mim.
Ardente e limitada, às vezes confusa
– assim prossegui.
E tu estiveste sempre, Senhor.
Em cada hora.
Cada pessoa.
Em cada passo.
Sempre no caminho da procura
– caminho do Encontro.
Eu sei, Senhor,
que nada acontece por acaso."»
Eloy Pinho, As Palavras de Cada Dia, Rádio
Renascença, 1981, pág. 179
Ω
«Deus
é como a fonte de onde cada um leva
conforme o recipiente que tem»
S. João da Cruz
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Ω
REGIÕES
VERSUS CENTRALIZAÇÃO
Sempre tenho defendido a regionalização do
País. Na Idade Média, as regiões enriqueceram as monarquias. Foi a
divisão do poder político, económico e jurídico que permitiu uma justiça
mais eficaz, uma divisão da riqueza mais adequada aos cargos exercidos,
uma sociedade mais solidária e fraterna.
O regime feudal mostrou, durante séculos,
que deveria ser o regime ideal de uma sociedade justa e avançada
culturalmente. A soberania regional-local, não pode deixar de dar às
populações um poder real, um poder que não se confunde com os interesses
da centralização.
O sistema absolutista que vigorou durante
o regime monárquico e que era fortemente centralizador arruinou os
alicerces da monarquia portuguesa e permitiu, em pleno regime
republicano, a ascensão de uma ditadura também centralizadora.
As medidas tomadas por este Governo no que
respeita à Saúde e à Educação, designadamente no interior, já a
desertificar-se num assustador êxodo para Lisboa e arredores
(sobretudo), não pode deixar as autarquias indiferentes. Os interesses
fundamentais das suas populações devem ser urgentemente defendidos. Os
Centros de Saúde e os SAP(s) a serem encerrados, os hospitais com pouco
pessoal e sem tecnologia actualizada, as actividades culturais e
desportivas sem uma real dinamização, são factores que retiram a vida às
pequenas cidades, vilas e aldeias do país mais afastado do litoral
marítimo.
Todo o interior do país está a
confrontar-se com um monstruoso êxodo das populações, vítimas do
desprezo de uma política acentuadamente centralizada mais interessada em
aumentar a concentração urbana nas cidades do litoral, especialmente
Lisboa, do que em desenvolver as pequenas cidades com um sistema de
infra-estruturas atractivo para a fixação populacional.
Em todos os países, designadamente da
Europa, para já não falar de Espanha, as cidades, quer do interior quer
da periferia, têm um grau de desenvolvimento cultural, industrial e
agrário muito idênticos. Viver em Paris ou na periférica Toulouse não
cria aos habitantes desta última cidade, diferenças nítidas em relação
às condições de educação, de cultura, de saúde ou de desenvolvimento
económico na primeira.
Em Portugal, há que fazer, para começar, a
revolução das cidades, capitais de distrito. Depois, a revolução terá de
se alargar ás outras cidades e às vilas. Sem que isso se incremente, por
iniciativa das próprias autarquias, ou seja, dos órgãos do poder local,
nunca sairemos da estrutura satirizada já por Eça de Queirós no seu
romance A Cidade e as Serras, publicado no longínquo ano de
1902…
O Algarve, que se integrou em Portugal
tardiamente, em relação ao resto do nosso país, tem uma situação
histórica e geográfica específica. A comunidade estrangeira residente, é
significativa. Contudo, a colonização de ingleses, holandeses ou alemães
tem de ser contida. Caso tal não se verifique, culturas cujo prestígio
internacional é muito superior ao do Algarve, abafarão a cultura desta
região portuguesa.
Se temos excelentes romancistas, se temos
excelentes intérpretes de música clássica, se temos cientistas de
craveira internacional, designadamente na universidade do Algarve, para
quê, por exemplo, grande número de espectáculos serem dominados por
intérpretes da comunidade estrangeira residente ou convidados por esta,
como acontece no Museu do Trajo Algarvio de S. Brás de Alportel?
Não temam, senhores autarcas!
Defendam os valores de Portugal e, em
especial, das regiões. Talvez seja assim que os povos se prestigiam e se
tornam capazes de ninguém se atrever a tentar substituí-los! “Regiões,
Sim, em nome de Portugal”.
29 de Novembro de 2007
Teresa Ferrer Passos
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Ω
TRÁFICO DE CRIANÇAS
COM CONIVÊNCIA DA SOCIEDADE CIVIL...

Uma ONG (Organização
Não Governamental) francesa denominada Arca de Zoé pretendeu sair do
Chade (país centro-norte africano) com 103 crianças. Tinham elas idades
compreendidas entre 1 e 10 anos e, sem qualquer documentação que o
legitimasse, íam metê-las num avião, comandado por um piloto belga e com
tripulação espanhola, com destino a França.
As autoridades do
país (antiga colónia francesa) consideraram este procedimento como
ilegítimo e altamente condenável pelas leis pelas quais se rege o Chade,
uma das, não muito frequentes, democracia africanas.
A acção levada
a cabo pelos franceses da ONG foi, desde logo, considerada um rapto de
crianças com o fim de as traficar, ou seja, de as vender por boas somas
de dinheiro. De facto, a ONG pretendia vender as crianças a famílias
francesas que as queriam adoptar, pois tinham sido informadas de que se
tratava de crianças órfãs, vindas de uma região mártir da guerra, a
região de Darfur. Esta é uma região sudanesa, com a qual o Chade tem
fronteira.

Igreja em N'Djamena, capital do Chade
No Chade
muitos refugiados de Darfur têm encontrado guarida. Mas, as crianças
eram mesmo chadianas e tinham as suas famílias. Esta ONG considerou
talvez que tivessem, ou não tivessem pais, isso não era muito
importante; serem órfãs ou não, que importava? O que importava mesmo era
satisfazer os pedidos dos clientes...
Se não fossem
as medidas imediatas do Presidente do Chade, Idriss Deby Itno, estas
crianças teriam sido, na sua quase totalidade, retiradas aos seus pais e
mães, evidentemente famílias pobres, mas que não os abandonaram à sua
sorte. Querem os seus filhos, consigo, porque lhes deram a vida.
Este país, um dos
mais pobres de África, coloca ainda os valores da família, ou seja, da
maternidade progenitora, em lugar mais alto do que as «vantagens» da
vida da sociedade consumista-materialista dos países europeus, sob a
supervisão da globalização, a descaracterizar o sentido superior da
família autêntica e, ao mesmo tempo, a querer mesmo apagar a sua
importância no universo da vida humana!

Mãe com a filha
O princípio
pelo qual se rege a adopção não pode colocar famílias ricas acima das
famílias pobres. É preciso não esquecer que foram estas que, mesmo
pobres, deram a vida aos seus filhos. Por isso, lhes chamam filhos.
O conceito de
verdadeiras mães e verdadeiros pais está em crise na sociedade
Ocidental. O conceito de que só há uma verdadeira mãe, tenha ela as
características sociais que tiver, não pode ser escamoteado em função
dos interesses egoístas das famílias bem instaladas na vida e
financeiramente abonadas que consideram que o filho de um estranho, pode
bem substituir um filho verdadeiro, ou seja, dado ao mundo através do
seu próprio corpo.
Os países pobres que
abundam na África ou na Ásia ou nas Américas Centrais ou do Sul, estão a
ser vítimas de organizações que, para ganhar fortunas, esquecem que Mãe
há só uma!
3 de Novembro de 2007
Teresa Ferrer Passos*
* Ortónimo de Teresa Bernardino
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SOFRIMENTO HUMANO
IGNORADO?!
Junta Médica recusa
Aposentação a uma professora cancerosa que é obrigada a manter as
funções docentes numa escola de Ovar. A desumanidade impera neste tempo
de insensibilidade, perante o sofrimento alheio. A desumanidade parte,
aqui, escandalosamente, de médicos!
Hoje, a Ministra da Educação anuncia
que a referida professora vai ser substituída, de imediato, porque não
garante, no seu estado de saúde, a qualidade de ensino que é exigível a
um professor. E, acentua que os alunos não podem ser prejudicados por a
professora não oferecer aulas com a qualidade exigível à docente.
O
escândalo destas justificações está no facto de a Ministra da Educação
não dirigir uma única palavra à professora, referindo o sofrimento com
que tem estado a leccionar, o sacrifício desnecessário que lhe foi
exigido por uma Junta Médica, ela sim, sem qualidade humana.
Porque é
esquecida a docente? Não é ela a vítima de uma doença que lhe dá grande
sofrimento, até à morte? Porque não merece uma palavra de apoio, pelo
seu espírito de abnegação, ao não abandonar as suas funções, apesar de
ter uma doença que o justificaria plenamente?
A Ministra da Educação
considera mais importante a qualidade do ensino ministrado a uma turma,
do que o sacrifício pelo terrível sofrimento de um ser humano? Este é o
Governo com Ministros mais desumanos, desde a Revolução de 25 de Abril!
Serão eles ministros afectos ao Partido Socialista, ou ministros que
querem, sub-repticiamente, destruir um Partido que deveria ter como
prioridade maior a solidariedade social?!
20 de Outubro de 2007
Teresa Bernardino*
* Também assina pelo ortónimo
Teresa Ferrer Passos
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Ω
«O amor é a
fonte que alimenta e o clima em que se cresce»
João Paulo II
Ω
«Nas nossas escolas, trocaríamos
os planos de estudos cheios de testes mecânicos pela ressurreição da
personalidade viva do educador, e a corrida ao programa quantificado,
geométrico, pelo ideal de formação de uma mocidade pessoal e
responsável, a quem se não abafe o sentido espontâneo da qualidade, o
dom de ser e de dar.»
Vitorino Nemésio,
Era do Átomo.
Crise do Homem, Livraria Bertrand, 1976, pág.121
Ω
«O maior
destruidor da paz nos nossos dias é o aborto, porque é uma guerra
directa, um crime directo cometido pela própria mãe. (…) É que, se uma
mãe pode matar o próprio filho, que me impede a mim de vos matar a vós e
a vós de me matar a mim? Nada. (…) Façamos com que toda a criança
nascida e por nascer seja desejada»*
* Excerto do discurso proferido por
Madre
Teresa de Calcutá, na ocasião em que lhe foi entregue o Prémio Nobel da
Paz, em 1979 (in Kathryn Spink, Madre Teresa de Calcutá, Ed. A.O.,
Braga, 1990, pág.191)
Ω
«Estamos
todos destinados a brilhar, como as crianças. Quando deixamos a nossa
própria luz brilhar, inconscientemente permitimos que outras pessoas
também o façam. Quando nos libertamos dos nossos medos, a nossa presença
acaba por ser transformadora e liberta também os que nos rodeiam»
Nelson Mandela
“Só
há duas coisas realmente importantes neste mundo: o amor e a arte”
Óscar Wilde
Sementes de Amor
Sim, é como a flor,
De água, ar. Luz e calor.
O amor prec
isa para viver
De emoção e de alegria
E tem que se regar todos os dias!
Nota:
Estas três últimas citações foram extraídas da revista
CAIS, Junho,
2007.
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