VÁRIA:

DISCURSO de D. DUARTE, Duque de Bragança, em 30/11/2008 (no jantar comemorativo da Restauração da Independência)

DEUS, QUEM É?

ALGUMAS NOTAS DE CRISTINO CORTES

PALAVRAS DO DALAI LAMA

Teresa Ferrer Passos / Teresa Bernardino:

O "MAGALHÃES" E A CULTURA INFANTIL

BENAZIR BHUTTO ASSASSINADA

AUNG SAN SUU KYI, A BIRMÂNIA E A PAZ

REGIÕES VERSUS CENTRALIZAÇÃO

TRÁFICO DE CRIANÇAS

SOFRIMENTO HUMANO IGNORADO?!

Fernando Henrique de Passos:

A ESTRANHEZA DO ALTRUÍSMO

REGICÍDIO: I CENTENÁRIO (1908-2008)

HARMONIA DO MUNDO

 

 

 

OPINIÃO

 

 

 

 

 

DISCURSO (EXCERTO) DE  S. A. R.  D. DUARTE, DUQUE  DE BRAGANÇA

 no JANTAR COMEMORATIVO (30/11/2008)

da RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA, EM 1 DE DEZEMBRO DE 1640:

 

«(...) O Estado deve desistir das obras faraónicas, aumentar a produtividade da função pública, encorajar os investimentos privados que produzam riqueza, preferindo sempre bens e serviços produzidos em Portugal. Por exemplo, o facto dos fundos da Segurança Social não serem investidos exclusivamente em empresas portuguesas, contribui para a descapitalização nacional e para o desemprego.

 Apelo aos partidos políticos para que não se deixem tornar em meros mecanismos de conquista do poder; que se lembrem que têm um papel decisivo nos debates sobre as doutrinas e as práticas políticas. Mas para isso, devem ser uma escola da cidadania, dialogando com as organizações não governamentais.

Este sentimento geral de que a democracia deve ser melhorada entre nós, levou-me a apoiar o recém-criado Instituto da Democracia Portuguesa, que tem já desenvolvido múltiplas e úteis actividades em várias regiões do país, em colaboração com diversas organizações e com as autarquias locais.

 Em 1975 recuperámos as liberdades de expressão e de participação política que já existiam antes da revolução de 1910. Mas cada vez mais ouço especialistas e pessoas de bom senso a dizer: Portugal atrasou-se no séc. XX porque prescindiu do poder moderador do seu Rei, ao contrário de Espanha, Inglaterra e Bélgica, e outros países europeus, que prosseguiram na vanguarda do desenvolvimento (...)».

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O "MAGALHÃES" E A CULTURA INFANTIL

 

Alunos a trabalhar com o "Magalhães"

 

 

Os alunos de uma escola do 1º ciclo do ensino básico, em Setembro de 2008, começaram a utilizar o computador portátil "Magalhães", de concepção portuguesa, após a distribuição deste, pelo Primeiro-Ministro, Eng. José Sócrates.

A Venezuela adquiriu, na ocasião, um milhão de exemplares  visita oficial a Portugal do Presidente Hugo Chávez destes mágicos auxiliares de estudo, para crianças.

A 3 de Outubro, o Primeiro-Ministro assinou um contrato com o Presidente Executivo da Microsoft, Steve Ballmer, com vista ao fornecimento de software e conteúdos, etc, para aplicação no "Magalhães".

Trata-se de um computador portátil feito em Portugal pela empresa J. P. Sá Couto, só a pensar nas CRIANÇAS, entre os seis e os dez anos.

A modernização da sociedade portuguesa não pode deixar de começar pelo sector industrial, o principal motor do enriquecimento das nações. Uma lufada de ar fresco entra, desde já, nas escolas portuguesas.

O projecto científico-tecnológico do Governo do Eng.º José Sócrates poderá começar, sem dúvida, a ganhar visibilidade internacional, muito em breve, se houver uma eficaz divulgação no estrangeiro, deste instrumento tecnológico para as crianças.

Uma verdadeira transformação na política de produtividade, em Portugal, está em curso. Que seja bem sucedida.

 

Que o nosso país volte a ter os benefícios que conquistou com a industrialização levada a cabo pelo Marquês de Pombal, Primeiro-Ministro do rei D. José I.

3 de Outubro de 2008

Teresa Bernardino

 

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A ESTRANHEZA DO ALTRUÍSMO

 

 

Para a ciência, o altruísmo é uma coisa bizarra. É assim há séculos, mas sobretudo desde a aceitação da teoria da evolução de Darwin, com o seu mecanismo eminentemente egoísta da “sobrevivência do mais apto”. Segundo algumas opiniões, três físicos teóricos portugueses (Francisco C. Santos, Marta D. Santos, Jorge M. Pacheco, “Social diversity promotes the emergence of cooperation in public goods games”, Nature, Vol. 454, No. 7201, pp. 213-216) deram um passo importante para a explicação do altruísmo do ponto de vista científico. A sua ideia foi introduzir uma nova variável nos modelos matemáticos comummente utilizados para tentar descrever as sociedades humanas. Essa nova variável é a diversidade social ou, para sermos mais exactos, um aspecto dessa diversidade, a saber, o diferente número de conexões que cada indivíduo tem com os restantes. A abordagem parece-nos artificial. Enquanto não surgir uma proposta mais sólida, preferimos continuar a acreditar que há coisas no ser humano que transcendem e sempre transcenderão a ciência.

 

Fernando Henrique de Passos

 

 

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«DEUS, QUEM É?»

 

 

«(...) As pessoas, e de modo geral o casal heterossexual, monogâmico e sacramentado que dialoguem, escutem a Deus e uns aos outros, para descobrir e viverem do amor e no amor sob as várias formas complementares e integradoras do projecto de Deus (eros, filia e agapé) − ou seja que se completam revelando o Criador e o Salvador como Amor que desenvolvem nas relações de amor solidário: acolhem-se, escutam-se, descobrem-se e completam-se na comunicação e comunhão de vida, traduzida na vida familiar, profissional, a participação social e do voluntariado. Efectivamente amar é assumir a vida como adequado serviço dos outros, como dom recebido de Deus que devemos imitar servindo (...) Para que o nosso amor seja dinâmico e progressivo, é essencial acreditar que Deus é Amor para nos deixarmos amar em verdade ee nos tornarmos capazes de purificar a memória e perdoar para bem acolher e ver, com competência e clarividência fraterna, o que é urgente fazer como resposta às dificuldades ocorrentes. E é normal que o amor esclarecido e eficaz seja fonte de comunhão, de alegria partilhada, da felicidade da paz autêntica (...)»

 

Frei Bernardo Domingues

 

 

Fonte: Frei Bernardo Domingues «Deus, quem é?», in Revista de Espiritualidade, nº 60,  Out./Dez.2007, Edições Carmelo, Marco de Canavezes, pág.319, 320.

 

 

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  UM OLHAR ALGARVIO, OLHARES ILHÉUS E ESPAÇOS MUSEOLÓGICOS

 

 Algumas notas de Cristino Cortes *

 

 

 

 

Ria Formosa, Olhão, Faro (Algarve)

 

 «(...) A minha maior surpresa [estranhamente, chamam-lhe Ria Formosa], no entanto, está no sapal − como admitir que esta zona de "lagos" e pântanos é uma riqueza agrícola e piscatória, uma maternidade de aves e de peixes e, simultaneamente, um espectáculo para a vista?! Deste último aspecto prescindo: não me parece que seja um aspecto muito agradável o que estes charcos e pântanos, meio terra meio água, à vista desarmada oferecem às cidades que envolvem – e dos cheiros [pestilentos, por vezes] que lhes emprestam em dias de determinada direcção do vento também não poderei dizer nada de positivo ou recomendável...»

 

Ilha Terceira, Açores

 

«(...) Para mim a ilha Terceira é a terra de Vitorino Nemésio – facto que ele orgulhosamente inscrevia no frontispício de alguns dos seus livros – e só por isso se justificaria fazer-lhe uma demorada visita. (...) A Terceira é, pois, a terra de Vitorino – , mas é também a cidade de Angra do Heroísmo, património mundial reconhecido pela Unesco, e é ainda a Base das Lajes. (...) ali se alberga, permanentemente, um destacamento das forças armadas norte-americanas. (...) O hóspede é rico, mas está em casa alheia – é bom fazer-lhe sentir essas distâncias, ele é nosso convidado, dá-nos jeito, mas não mais do que isso.»

«(...) Uma das grandes finalidades das visitas museológicas, o secreto desejo de cada um, é a elucidação da maneira como teria sido a vida de certas classes há alguns séculos atrás, em meios que hoje só pelo estudo e investigação podemos reconstituir com maior ou menor dificuldade.

Especificamente para a arte − para o conjunto das chamadas "belas-artes" − a situação é um pouco diferente. Basta lembrar que uma das suas principais funções é o que se convencionou chamar o "culto do belo", o qual se conseguiria através da "educação do gosto".

Deste ponto de vista estão, talvez, esses museus mais directamente relacionados com o sistema de ensino; eles dirigem-se mais a estudantes das disciplinas artísticas, a pintura e a escultura tradicionalmente, sem prejuízo de essa ser uma matéria em que todo o homem bem formado deve ter conhecimentos e interesse. É que o gosto também se educa, e durante toda a vida é tempo de evoluir e aprender.

(...) Os museus deixaram de ser, assim, votados exclusivamente ao domínio artístico. Eles passaram a incorporar a representação das mais diversas facetas do modo de viver: das artes decorativas aos vestígios arqueológicos, do mobiliário ás louças e porcelanas, dos desaparecidos ofícios à arte da guerra, da história local ao perfil de individualidades que se notabilizar am no seio das suas comunidades − e certamente muitos outros.»

 

 

Fonte: Cristino Cortes, Viagens... Marés e Memórias, Papiro Editora, Porto,2007, pp.105-106, 118-119, 142-143.

 

 

 

* Cristino Cortes é Licenciado em Economia. Nasceu, em 1953, em Fiães (Trancoso), residindo nos arredores de Lisboa, desde 1971. Publicou vários livros de poesia como, por exemplo, Nas margens do Hades (Edições Átrio, 1993), Em Lisboa, pelo Natal... (Ulmeiro, 1995), Cronologia e outros Poemas (Livro Aberto,2005). Na área do ensaio deu à estampa Relances de Maré e Vida (Universitária Editora, 1998), Novos Relances de Maré e Vida (Universitária Editora, 2003 ), Viagens... Marés e Memórias (2007). Actualmente, tem colaborado com artigos de opinião no Suplemento «das Artes das Letras» de O Primeiro de Janeiro. Tem também organizado antologias e conferências. A sua actividade profissional é exercida no âmbito do Ministério da Cultura.

 

 

 

 

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BENAZIR BHUTTO ASSASSINADA

 PELOS INIMIGOS DA DEMOCRACIA NO PAQUISTÃO

 

 

 

 

A morte esperava Benazir Bhutto, líder do Partido Popular Paquistanês, após o comício de 27 de Dezembro, realizado em Ravalpendi, perto da capital do país, Islamabad. As eleições marcadas para o dia 8 de Janeiro de 2008, conduziram aquela que foi Primeira-Ministra do Paquistão por duas vezes, a uma dinamização das suas actividades políticas. Tal como seu pai, fundador do PPP, seria vítima daqueles que preferem que a sua Pátria viva sob a alçada de ditaduras militares. Tinha escapado de uma outra tentativa de assassinato, bem recentemente, e que provocou a morte de mais de cem pessoas na cidade de Carachi (18 de Outubro). Desta vez, Benazir foi alvejada com tiros que lhe atingiram o pescoço e o peito. Com ela morreram mais vinte pessoas, quando suicida-bomba que a alvejara se fez explodir na sua sede de morte.

Benazir Bhutto, filha do fundador deste partido defensor dos ideais democráticos, vira seu pai Z. Ali Bhutto, ser deposto de Primeiro-Ministro e condenado à morte em 1979, após um golpe de estado militar chefiado por um general. Em 1988, o PPP ganha as eleições e Benazir Bhutto assume a chefia do governo paquistanês. Torna-se assim a primeira mulher  a chefiar um Governo num país muçulmano. Deposta dois anos depois sob acusações de corrupção, volta a ser reeleita no acto eleitoral de 19 de Outubro de 1993. Mais uma vez, o poder é tomado pelos militares e as mesmas acusações justificam o assalto ao Poder político.

Exila-se em Londres. Apesar dos desaires que foi sofrendo após ter visto seu pai cair quando da ascenção ao poder dos militares, não perde a esperança de regressar ao seu país para o libertar das garras sangrentas daqueles que só acreditam no poder das armas, e rejeitam as ideias daqueles que apenas usam o poder da palavra para construir um país livre, um país em que os pobres possam ver nos seus governantes a garantia da sua defesa e não déspotas sustentados pela força das armas.

A "líder dos paquistaneses pobres", como ela própria se auto denominava, caiu sob o peso das armas que abate, inclemente, todo aquele que não se serve de tais meios. Mas não conseguiram nem conseguirão calar a força anímica desta Mulher, sejam quais forem as armas que usem. Benazir Bhutto não temia a morte e, por isso, defrontou os inimigos da democracia, arriscando perder a vida.

Seu filho mais velho, agora com dezanove anos, irá suceder-lhe na direcção do Partido Popular Paquistanês, conforme ela deixou escrito, duvidando já de poder levar até ao fim a sua missão. O destino marcou a hora da sua morte, mas as palavras que os adeptos da democracia no Paquistão escutaram não serão esquecidas, tal como os seus manuscritos e as suas publicações não serão papeis esquecidos.

O exemplo de Benazir Bhutto mostrou ao mundo que a vida não termina com a morte. Com o seu heroísmo, a sua vida vai agora ser olhada como uma pedra lançada no charco da injustiça. A sua vida vai ganhar a dimensão daqueles a quem a morte não consegue fazer esquecer, e muito menos recuar perante o cobarde e implacável inimigo. O ideal de justiça social e de solidariedade para com os mais desprotegidos, que só o regime democrático augura, não serão palavras vãs no Paquistão do futuro.

 

30 de Dezembro de 2007

Teresa Ferrer Passos

 

 

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AUNG SAN SUU KYI, A BIRMÂNIA E A PAZ

 

 

 

Aung San Suu Kyi nasceu na Birmânia, em 1945. Seu pai, herói da independência do país, foi assassinado quando ela tinha apenas dois anos.

 

 

Aung San Suu Kyi

 

Submetido a uma férrea ditadura militar, a Birmânia (desde então denominada Myanmar) viu milhares de adeptos da democracia serem presos, torturados e mortos.

Em 1988, houve a notícia de dez mil pessoas mortas, em consequência da repressão dos militares no poder.

Fundadora da Liga Nacional para a Democracia, Aung San Suu Kyi ganhou as eleições por uma maioria esmagadora, em 1990. A escolha dos eleitores foi desrespeitada.

 Em 1991, era-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz, por todos os seus corajosos esforços em prol dos Direitos Humanos na sua pátria.

Sufocada a tentativa de democratização do país, Aung San Suu Kyi ficou em prisão domiciliária até aos dias de hoje.

Recentes manifestações de rua, tiveram como apoiantes os próprios monges budistas, o que levou a mais uma brutal repressão exercida pelo regime militar. Mosteiros foram invadidos, monges assassinados e muitos outros privados da liberdade.

Quando é que as eleições democráticas e a escolha dos votantes são respeitadas?

 

Budistas aprisionados num mosteiro

 

A Comunidade Internacional não tem peso e prestígio para repor a Ordem Democrática e os Direitos Humanos, em Myanmar, a antiga Birmânia?

O mundo que se diz a favor dos direitos humanos, não consegue vencer as ditaduras férreas que proliferam em vários Estados, entre os quais está a Birmânia, há tantos anos?!*

 

     3/10/2007

Teresa Ferrer Passos

 

 

 

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PALAVRAS DO DALAI LAMA *

 

 

«O mundo está a tornar-se cada vez mais pequeno devido a diversos factores e nomeadamente ao desenvolvimento das comunicações. Este movimento trouxe também uma maior aproximação  entre confissões religiosas e culturais diferentes.» (...)

«Diz-se que um inimigo é o nosso melhor mestre. Quando seguimos os mestres, aprendemos a importância da paciência, mas não temos oportunidade de aprender a ser pacientes. O desenvolvimento efectivo da paciência só ocorre quando nos confrontamos com o inimigo.»

 

                                                                            (in Dalai Lama, Sabedoria Infinita)

 

 

* O XIV Dalai Lama, nasceu a 6 de Julho de 1935, oriundo de uma família de camponeses, numa pequena aldeia de Taktser no Nordeste do Tibete. Foi reconhecido aos dois anos como a reencarnação do seu predecessor, o XIII Dalai Lama. (...) Na última década, tentou estabelecer o diálogo com os chineses. Propôs o Plano de Paz em Cinco Pontos em 1987-88 que teria podido estabilizar toda a região asiática e foi louvado por estadistas e especialistas em legislação no mundo inteiro. Mas os chineses ainda não entraram em negociações (excertos da "Introdução" de Rinchen Dharlo ao livro citado).

 

 

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«Rezemos hoje esta oração composta por uma

 mulher com uma grande sensibilidade poética e

com um apurado senso da fé:

"Eu sei, Senhor

que nada acontece por acaso

Pelo meu caminho prossegui

segura de ti, na insegurança de mim.

Ardente e limitada, às vezes confusa

– assim prossegui.

E tu estiveste sempre, Senhor.

Em cada hora.

Cada pessoa.

Em cada passo.

Sempre no caminho da procura

– caminho do Encontro.

Eu sei, Senhor,

que nada acontece por acaso."»

 

                                                    Eloy Pinho, As Palavras de Cada Dia,    Rádio Renascença, 1981, pág. 179

 

 

 

 

«Deus é como a fonte de onde cada um leva

 

conforme o recipiente que tem»

                                                                                                                                   S. João da Cruz

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 REGIÕES VERSUS CENTRALIZAÇÃO

 

 

Sempre tenho defendido a regionalização do  País. Na Idade Média, as regiões enriqueceram as monarquias. Foi a divisão do poder político, económico e jurídico que permitiu uma justiça mais eficaz, uma divisão da riqueza mais adequada aos cargos exercidos, uma sociedade mais solidária e fraterna.

 

O regime feudal mostrou, durante séculos, que deveria ser o regime ideal de uma sociedade justa e avançada culturalmente. A soberania regional-local, não pode deixar de dar às populações um poder real, um poder que não se confunde com os interesses da centralização.

 

 O sistema absolutista que vigorou durante o regime monárquico e que era fortemente centralizador arruinou os alicerces da monarquia portuguesa e permitiu, em pleno regime republicano, a ascensão de uma ditadura também centralizadora.

 

As medidas tomadas por este Governo no que respeita à Saúde e à Educação, designadamente no interior, já a desertificar-se num assustador êxodo para Lisboa e arredores (sobretudo), não pode deixar as autarquias indiferentes. Os interesses fundamentais das suas populações devem ser urgentemente defendidos. Os Centros de Saúde e os SAP(s) a serem encerrados, os hospitais com pouco pessoal e sem tecnologia actualizada, as actividades culturais e desportivas sem uma real dinamização, são factores que retiram a vida às pequenas cidades, vilas e aldeias do país mais afastado do litoral marítimo.

 

Todo o interior do país está a confrontar-se com um monstruoso êxodo das populações, vítimas do desprezo de uma política acentuadamente centralizada mais interessada em aumentar a concentração urbana nas cidades do litoral, especialmente Lisboa, do que em desenvolver as pequenas cidades com um sistema de infra-estruturas atractivo para a fixação populacional.

 

Em todos os países, designadamente da Europa, para já não falar de Espanha, as  cidades, quer do interior quer da periferia, têm um grau de desenvolvimento cultural, industrial e agrário muito idênticos. Viver em Paris ou na periférica Toulouse não cria aos habitantes desta última cidade, diferenças nítidas em relação às condições de educação, de cultura, de saúde ou de desenvolvimento económico na primeira.

 

Em Portugal, há que fazer, para começar, a revolução das cidades, capitais de distrito. Depois, a revolução terá de se alargar ás outras cidades e às vilas. Sem que isso se incremente, por iniciativa das próprias autarquias, ou seja, dos órgãos do poder local, nunca sairemos da estrutura satirizada já por Eça de Queirós no seu romance A Cidade e as Serras, publicado no longínquo ano de 1902…    

 

O Algarve, que se integrou em Portugal tardiamente, em relação ao resto do nosso país, tem uma situação histórica e geográfica específica. A comunidade estrangeira residente, é significativa. Contudo, a colonização de ingleses, holandeses ou alemães tem de ser contida. Caso tal não se verifique, culturas cujo prestígio internacional é muito superior ao do Algarve, abafarão a cultura desta região portuguesa.

 

Se temos excelentes romancistas, se temos excelentes intérpretes de música clássica, se temos cientistas de craveira internacional, designadamente na universidade do Algarve, para quê, por exemplo, grande número de espectáculos serem dominados por intérpretes da comunidade estrangeira residente ou convidados por esta, como acontece no Museu do Trajo Algarvio de S. Brás de Alportel?

 

Não temam, senhores autarcas!

 

Defendam os valores de Portugal e, em especial, das regiões. Talvez seja assim que os povos se prestigiam e se tornam capazes de ninguém se atrever a tentar substituí-los! “Regiões, Sim, em nome de Portugal”.

 

29 de Novembro de 2007

Teresa Ferrer Passos

 

 

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TRÁFICO DE CRIANÇAS COM CONIVÊNCIA DA SOCIEDADE CIVIL...

 

 

 

 

 

 

 

Uma ONG (Organização Não Governamental) francesa denominada Arca de Zoé pretendeu sair do Chade (país centro-norte africano) com 103 crianças. Tinham elas idades compreendidas entre 1 e 10 anos e, sem qualquer documentação que o legitimasse, íam metê-las num avião, comandado por um piloto belga e com tripulação espanhola, com destino a França.

 

As autoridades do país (antiga colónia francesa) consideraram este procedimento como ilegítimo e altamente condenável pelas leis pelas quais se rege o Chade, uma das, não muito frequentes, democracia africanas.

 

 A acção levada a cabo pelos franceses da ONG foi, desde logo, considerada um rapto de crianças com o fim de as traficar, ou seja, de as vender por boas somas de dinheiro. De facto, a ONG pretendia vender as crianças a famílias francesas que as queriam adoptar, pois tinham sido informadas de que se tratava de crianças órfãs, vindas de uma região mártir da guerra, a região de Darfur. Esta é uma região sudanesa, com a qual o Chade tem fronteira.

 

Igreja em N'Djamena, capital do Chade

 

 No Chade muitos refugiados de Darfur têm encontrado guarida. Mas, as crianças eram mesmo chadianas e tinham as suas famílias. Esta ONG considerou talvez que tivessem, ou não tivessem pais, isso não era muito importante; serem órfãs ou não, que importava? O que importava mesmo era satisfazer os pedidos dos clientes...

 

  Se não fossem as medidas imediatas do Presidente do Chade, Idriss Deby Itno, estas crianças teriam sido, na sua quase totalidade, retiradas aos seus pais e mães, evidentemente famílias pobres, mas que não os abandonaram à sua sorte. Querem os seus filhos, consigo, porque lhes deram a vida.

 

Este país, um dos mais pobres de África, coloca ainda os valores da família, ou seja, da maternidade progenitora, em lugar mais alto do que as «vantagens» da vida da sociedade consumista-materialista dos países europeus, sob a supervisão da globalização, a descaracterizar o sentido superior da família autêntica e, ao mesmo tempo, a querer mesmo apagar a sua importância no universo da vida humana!

 

Mãe com a filha

 

 O princípio pelo qual se rege a adopção não pode colocar famílias ricas acima das famílias pobres. É preciso não esquecer que foram estas que, mesmo pobres, deram a vida aos seus filhos. Por isso, lhes chamam filhos.

 

O conceito de verdadeiras mães e verdadeiros pais está em crise na sociedade Ocidental. O conceito de que só há uma verdadeira mãe, tenha ela as características sociais que tiver, não pode ser escamoteado em função dos interesses egoístas das famílias bem instaladas na vida e financeiramente abonadas que consideram que o filho de um estranho, pode bem substituir um filho verdadeiro, ou seja, dado ao mundo através do seu próprio corpo.

 

Os países pobres que abundam na África ou na Ásia ou nas Américas Centrais ou do Sul, estão a ser vítimas de organizações que, para ganhar fortunas, esquecem que Mãe há só uma!

 

3 de Novembro de 2007

 

Teresa Ferrer Passos*

 

* Ortónimo de Teresa Bernardino

 

 

 

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SOFRIMENTO HUMANO IGNORADO?!

 

 

Junta Médica recusa Aposentação a uma professora cancerosa que é obrigada a manter as funções docentes numa escola de Ovar. A desumanidade impera neste tempo de insensibilidade, perante o sofrimento alheio. A desumanidade parte, aqui, escandalosamente, de médicos!

 

Hoje, a Ministra da Educação anuncia que a referida professora vai ser substituída, de imediato, porque não garante, no seu estado de saúde, a qualidade de ensino que é exigível a um professor. E, acentua que os alunos não podem ser prejudicados por a professora não oferecer aulas com a qualidade exigível à docente.

 

O escândalo destas justificações está no facto de a Ministra da Educação não dirigir uma única palavra à professora, referindo o sofrimento com que tem estado a leccionar, o sacrifício desnecessário que lhe foi exigido por uma Junta Médica, ela sim, sem qualidade humana.

 

Porque é esquecida a docente? Não é ela a vítima de uma doença que lhe dá grande sofrimento, até à morte? Porque não merece uma palavra de apoio, pelo seu espírito de abnegação, ao não abandonar as suas funções, apesar de ter uma doença que o justificaria plenamente?

 

A Ministra da Educação considera mais importante a qualidade do ensino ministrado a uma turma, do que o sacrifício pelo terrível sofrimento de um ser humano? Este é o Governo com Ministros mais desumanos, desde a Revolução de 25 de Abril!

 

Serão eles ministros afectos ao Partido Socialista, ou ministros que querem, sub-repticiamente, destruir um Partido que deveria ter como prioridade maior a solidariedade social?!

 

20 de Outubro de 2007

 

Teresa Bernardino*

 

* Também assina pelo ortónimo Teresa Ferrer Passos 

 

 

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«O amor é a fonte que alimenta e o clima em que se cresce»

João Paulo II

 

 

 

 

«Nas nossas escolas, trocaríamos os planos de estudos cheios de testes mecânicos pela ressurreição da personalidade viva do educador, e a corrida ao programa quantificado, geométrico, pelo ideal de formação de uma mocidade pessoal e responsável, a quem se não abafe o sentido espontâneo da qualidade, o dom de ser e de dar

 

Vitorino Nemésio, Era do Átomo. Crise do Homem, Livraria Bertrand, 1976,  pág.121

 

 

 

 

«O maior destruidor da paz nos nossos dias é o aborto, porque é uma guerra directa, um crime directo cometido pela própria mãe. (…) É que, se uma mãe pode matar o próprio filho, que me impede a mim de vos matar a vós e a vós de me matar a mim? Nada. (…) Façamos com que toda a criança nascida e por nascer seja desejada»*

 

 

* Excerto do discurso proferido por Madre Teresa de Calcutá, na ocasião em que lhe foi entregue o Prémio Nobel da Paz, em 1979 (in Kathryn Spink, Madre Teresa de Calcutá, Ed. A.O., Braga, 1990, pág.191)

 

 

 

 

 

 

«Estamos todos destinados a brilhar, como as crianças. Quando deixamos a nossa própria luz brilhar, inconscientemente permitimos que outras pessoas também o façam. Quando nos libertamos dos nossos medos, a nossa presença acaba por ser transformadora e liberta também os que nos rodeiam»

                                                                                                                                                                 Nelson Mandela

 

 

 

 

“Só há duas coisas realmente importantes neste mundo: o amor e a arte”

                                                                                            

                                                                                                                                                 Óscar Wilde

 

 

 

Sementes de Amor

 

Sim, é como a flor,

De água, ar. Luz e calor.

O amor prec

isa para viver

De emoção e de alegria

E tem que se regar todos os dias!

 

 

                  Nota: Estas três últimas citações foram extraídas da revista CAIS, Junho, 2007.

 

 

 

 

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