HARMONIA DO MUNDO

 

 

SANTA TERESA DO MENINO JESUS

 

 

 

O DIVINO POBREZINHO DO NATAL

pedindo esmola às Carmelitas

 

25 de Dezembro de1895, Noite de Natal

Composição poética teatral de Santa Teresa do Menino Jesus (Carmelo de Lisieux)

Estando a comunidade reunida (diante de um presépio ), aparece um anjo que traz nos braços o Menino Jesus envolvido em paninhos − Canta o que se segue com a música de «Sancta Maria, eu vi em sonhos os serafins», etc.

 

 

Em nome d'Aquele que adoro

Irmãs, venho estender-vos a mão

E cantar pelo Menino Divino

Pois Ele não sabe ainda falar...

 

 

Para com Jesus, o Exilado do Céu,

Não encontrei neste mundo

Senão uma indiferença profunda

É por isso que venho ao Carmelo.

 

 

Que a vossa ternura

E as vossas carícias

Que os vossos louvores

Ó irmãs dos anjos!

Sejam para o Menino.

 

 

Ardei de amor, alma encantada

Um Deus por vós fez-Se mortal

     Oh! mistério inefável

     Quem vos pede esmola

     É o Verbo Eterno!...

 

 

Minhas Irmãs, vinde sem receio

Vinde cada uma por sua vez

Oferecendo a Jesus o vosso amor

Sabereis a sua vontade santa.

Dir-vos-ei o desejo

Do Menino oculto nas roupinhas

A vós, puras como anjos

Que todavia podeis sofrer.

     Que a vossa vida

     Tão bem preenchida

     Que as vossas dores

     As vossas alegrias

     Sejam para o Menino.

Ardei de amor, alma encantada

Um Deus por vós fez-Se imortal

     Oh! mistério inefável

     Quem vos pede esmola

     É o Verbo Eterno!...

 

 

 

 

A Madre Prioresa vem em primeiro lugar adorar o Menino Jesus que o anjo coloca num presépio anteriormente preparado; depois apresenta um CESTINHO CHEIO DE BILHETES (cada um com uma ESTROFE) à Madre Prioresa, ela pega num à sorte, depois, sem o abrir, DÁ-O ao anjo que canta a ESMOLA QUE O Menino Jesus PEDE. − A Madre prioresa retira-se depois de ter beijado e afagado o Divino Menino. Cada uma por sua vez, as Irmãs vêm todas e fazem como acaba de ser dito.

As estrofes seguintes cantam-se com a música do Natal de Holmès (...):

 

UM TRONO DE OURO

 

 

De Jesus, vosso único Tesouro

Escutai o amável desejo.

Pede-vos um trono de ouro

Por não encontrar nenhum no estábulo.

O estábulo é como o pecador

Onde Jesus não vê nenhuma coisa

Que possa alegrar-Lhe o coração

Onde nunca Ele descansa.

     Salvai, minha Irmã

     A alma do pecador

Por este Trono Jesus suspira.

     Mas mais ainda,

     Para seu Trono de ouro

É o vosso coração que Ele deseja.

 

LEITE

 

 

Aquele que alimenta os eleitos

Com a sua Santa e Divina Essência

Fez-se por vós o Menino Jesus

Ele reclama a vossa assistência.

No Céu a sua felicidade é perfeita.

Mas é pobre sobre a terra.

Dai, minha Irmã, um pouco de Leite

A Jesus, vosso Irmãozinho.

     Ele sorri-vos

     Repete baixinho:

«É a simplicidade que eu amo

     «Natal, Natal,

     «Desço do Céu

«Porque o meu Leite de amor, és tu.»

 

Passarinhos

 

 

Minha Irmã, quereis saber

O que o Menino Jesus deseja

Pois bem! dir-vos-ei esta noite

Como o fareis sorrir.

Apanhai passarinhos lindos

Fazei-os voar no estábulo

São a imagem das crianças

Que ama o Verbo Adorável.

     Com os seus doces cantos

     O seu chilrear

O seu rosto infantil rejubila

     Rezai por elas

     Um dia nos Céus

Formarão a vossa coroa.

 

Uma Estrela

 

Às vezes, quando o Céu está negro

E coberto por uma nuvem escura

Jesus fica triste à noite

Por estar sem luz na sombra.

Para alegrar o Menino Jesus

Como uma estrela cintilante

Brilhai pelas virtudes todas

Sede um luzeiro ardente.

     Ah! que a vossa luz

     Guiando-nos ao Céu

Rasgue o véu dos pecadores!...

     O Divino Menino

     O astro da manhã

Escolhe-vos para sua doce Estrela.

Uma Lira

 

 

Escutai, escutai, minha Irmã

O que deseja o Menino Jesus.

Pede-vos o vosso coração

Como sua melodiosa Lira.

Ele tinha no seu lindo Céu

A harmonia dos santos anjos

Mas quer que neste Carmelo

Como eles, canteis seus louvores.

    Minha Irmã, minha Irmã,

    É do vosso coração

Que Jesus quer a melodia.

     De noite, de dia

     Em cantos de amor

Se consumirá a vossa vida...

 

Rosas

 

 

A vossa alma é um lírio perfumado

Que encanta Jesus e a sua Mãe,

Escutai o vosso Bem-amado

Que diz baixinho com ar de mistério:

«Ah! se Eu amo a brancura

«Dos lírios, símbolo de inocência,

«Amo também a cor berrante

«Das Rosas da penitência.

     «Quando as tuas lágrimas

     «Purificam os corações

«Grande é a alegria que Me dás

     «Pois Eu poderei

     «Enquanto quiser

«Colher Rosas às mãos cheias.»

 

Um Vale

 

 

Como pelo brilho do sol

A natureza é embelezada,

Pois ele doura com o clarão vermelho

O vale, profundo e florido,

Assim Jesus, o Sol Divino

De nada Se aproxima sem o dourar

Resplandece na sua manhã

Mais do que uma brilhante aurora.

     No seu despertar

     O Divino Sol

Derrama na vossa alma exilada

     Com os seus dons

     Os seus mais quentes raios

Sede o seu gracioso Vale.

 

Ceifeiros

 

 

Lá longe, noutros horizontes,

Apesar da geada e da neve

Já ficam maduras as searas

Que o Divino Menino protege.

Mas ai! para as ceifar

São precisas almas ardentes,

Ceifeiros que queiram sofrer

Troçando do ferro e das chamas.

     Natal, Natal

     Venho ao Carmelo

Sabendo que os meus desejos são os vossos.

     Para o doce Salvador

     Gerai, minha Irmã,

Muitas almas de Apóstolos.

 

(...........................................)

 

16ª

Um Espelho

 

 

Qualquer criança gosta de que a ponham

Diante de um espelho fiel

Então sorri com graça

Pois julga ver uma outra criança.

 

Ah! vinde ao pobre estábulo

A vossa alma é um cristal brilhante

Reflecti o Verbo Adorável

Os encantos do Deus feito Menino.

 

Ah! sede a imagem viva

O puro Espelho do vosso Esposo

O brilho Divino do seu Rosto

Ele quer contemplá-l'O em vós!...

 

O seu rosto (bis) Ele quer contemplá-l'O em vós.

 

17ª

Um Palácio

 

 

Os grandes, os nobres da terra

Têm todos palácios sumptuosos

Uns casebres são, pelo contrário,

Os abrigos dos infelizes.

 

Assim vede num estábulo

O Pobrezinho do Natal

Encobre a sua glória inefável

Ao deixar o Palácio do Céu!...

 

O vosso coração ama a pobreza

Nela encontrais a paz

Por isso, Irmã querida, sois vós mesma

Que Jesus quer para seu Palácio.

 

Sois vós mesma (bis) que Jesus quer para seu Palácio.

(..........................................................................)

 

22ª

Roupinhas

 

 

Vede que o Amável Menino

Com o dedinho encantador

Vos mostra a palha seca

Ah! compreendei o seu amor

E guarnecei neste dia

Com Roupinhas a pobre manjedoura.

Desculpando sempre as vossas irmãs

Alcançareis os favores

De Jesus, o Rei dos anjos.

É a caridade ardente

A amável simplicidade

Que Ele pede como suas Roupinhas.

(...........................................................)

 

25ª

Mel

 

 

Às primeiras luzes da manhã

Fazendo a sua rica colheita,

Vemos a abelhinha

Adejar de flor em flor,

E visitar com alegria

As corolas que desperta.

 

Colhei assim o amor

E voltai todos os dias

Junto do presépio sagrado

Oferecer ao Salvador Divino

O Mel do vosso fervor

Pequena abelha dourada!...

(............................................)

 

 

Depois de todas as religiosas terem voltado aos lugares, o anjo toma de novo nos braços o Menino Jesus (...)

 

 

O Divino Menino agradece-vos

Está encantado com todos os vossos dons

Por isso no seu livro de vida

Escreve-os com os vossos nomes.

(......................................................)

 

 

 

IN OBRAS COMPLETAS DE SANTA TERESA DO MENINO JESUS, EDIÇÕES CARMELO,

MARCO DE CANAVESES, 1996,

PP.971-976; 981; 983; 985

 

 

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