O DIA DA RAÇA

A AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES

O REGICÍDIO E O PARLAMENTO

A OBSESSÃO DA PREVENÇÃO

O NOVO AEROPORTO

AS JUNTAS MÉDICAS

A RUSGA AO SINDICATO

UM FLAGELO

AS ELEIÇÕES EM LISBOA

DARFUR

A ANEDOTA DE FERNANDO CHARRUA

ANO NOVO

NATAL 2006

O REFERENDO AO ABORTO

AS "SALAS DE CHUTO"

A PROCRIAÇÃO ASSISTIDA

BLOGUE EM 4X4

por Fernando Henrique de Passos

 

 

 

Som: "Clarence in Wonderland", de Kevin Ayers

 

O DIA DA RAÇA

 

Disse o nosso Presidente

Que hoje é o Dia da Raça.

Disse-o com ar sorridente

E toda a gente achou graça.

 

Só em S. Brás de Alportel

É que não houve alegria.

Levantou-se um aranzel:

“Isto foi xenofobia!”

 

Foi um magote de gente

Para o Governo Civil:

Um Director descontente,

Mulheres vestidas de Abril.

 

Mas o bom Governador

Fê-los voltar a penates:

“É que achou o Professor

Ser Dia dos Disparates!”

 

10/6/2008

 

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A AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES

 

Professores avaliados:

Mais uma ideia brilhante

De ministros alheados

Do seu mundo circundante.

 

O grande mal das escolas,

A total indisciplina,

Não se cura com bitolas

P´ra avaliar quem ensina.

 

Dêem mais autoridade

A quem lida com alunos

Que, em abono da verdade,

São actuais hordas de hunos!

 

Ou vão ao ponto acabado

De tanta série de asneiras,

Com os alunos no estrado

E os professores nas carteiras!

 

19/3/2008

 

 

  

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O REGICÍDIO E O PARLAMENTO

 

Vi que um voto de pesar

Por um crime tão nojento

É capaz de incomodar

Quem vive do Parlamento.

 

Vi bem que por ali ronda

Quem não esconde que até gosta

De gente tão hedionda

Como o Buíça e o Costa.

 

Vi que, passados cem anos,

Ainda há muitos deputados

A serem tão desumanos

Como esses dois celerados.

 

Vi e não pude votar,

Pois não pertenço aos votantes,

Mas deixo aqui o pesar

Por ter tais representantes.

 

11/2/2008

 

 

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A OBSESSÃO DA PREVENÇÃO

 

Você está mal mas ignora,

Vá já fazer um rastreio!

(Julga ir da vida a meio

E já está na sua hora…)

 

O vento vai soprar forte,

Olhe o alerta amarelo!

(Não julgue que faz farelo

Com a ameaça de morte…)

 

Cuidado com a comida,

Olhe o alerta laranja!

(Nitrofuranos na canja

São baixa esp’rança de vida…)

 

O senhor está muito mal,

Olhe os alertas vermelhos!

(Mas siga os nossos conselhos

E ficará imortal…)

 

14/1/2008

 

 

 

 

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O NOVO AEROPORTO

 

O país anda absorto

Com uma história idiota:

Este novo aeroporto

Deve ser feito na Ota?

 

Debates na televisão,

Muitas folhas nos jornais.

Estuda-se a fundo a questão

E até se estuda demais.

 

Para não ficar atrás

Eu também dou um palpite,

E quero, desde S. Brás,

Deixar aqui o convite:

 

Na planície ou na serra,

Seja feito com primores,

P’ra mandar p’ra outra terra

Tão chatos comentadores.

 

9/12/2007

 

 

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AS JUNTAS MÉDICAS

 

Dá aulas um moribundo,

Trabalha-se em agonia.

Se não é o fim do mundo,

É como o fim principia.

 

Que regime de pasmar

Nos veio a calhar em sorte,

Que nos manda trabalhar

Até às portas da morte!

 

Não se comovem com pranto,

Não se comovem com nada,

Estaline parece um santo

Face a gente tão malvada.

 

Em estando na minha mão,

Sabia como os tratar:

Uma só constipação

E mandava-os descansar!

 

9/11/2007

 

 

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A RUSGA AO SINDICATO

 

Eu queria dar de barato

Que este governo é honesto.

Mas a rusga ao sindicato…

(Para não falar no resto…)

 

Já fora o caso Charrua,

Também Vieira do Minho…

Ninguém há que não conclua:

Não vamos por bom caminho!

 

Parece o “antigamente”:

Quem for contra “a situação”

Dê-se por muito contente

Se não se vir na prisão!

 

Temos de tomar medidas

Antes que isto vá a mais

E estas pequenas feridas

Passem a cancros mortais…

 

20/10/2007

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UM FLAGELO

 

Que sorte avessa e madrasta,

Tudo acontece à nação…

Outro mal que agora alastra

É o da prostituição.

 

Em cada esquina ou viela,

Lá está uma meretriz.

Passo sem olhar p’ra ela,

Choro por este país.

 

Até S. Brás de Alportel,

Antes vila sossegada,

Parece mais um bordel,

Tal é a fauna avistada.

 

Existe uma solução

(Não agrada a toda a gente…):

É meterem na prisão,

Não “elas”, mas o cliente.

 

16/9/2007

 

 

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AS ELEIÇÕES EM LISBOA

 

Eram doze os concorrentes,

Apóstolos actuais.

Dizem-se todos diferentes,

Eu acho-os muito iguais.

 

Eram doze os candidatos…

Escrevo Apóstolos a custo,

Pois dizer doze Pilatos

É com certeza mais justo.

 

Nenhum tem culpa de agora

Estar a Câmara num caos.

Cada um diz (e não cora!)

Que os outros é que são maus.

 

…Eram doze os candidatos,

Como que Apóstolos de hoje.

Mas da história dos seus Actos

Até o Diabo foge.

 

15/7/2007

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DARFUR

 

Quase se recusa a mão

A pôr isto no papel:

Gente é morta no Sudão

Por causa da cor da pele.

 

Tanto discurso inflamado

Sobre direitos humanos

E um povo a ser dizimado

Ao longo de anos e anos!

 

Mas ali há diamantes?

Interesses ocidentais?

Alianças importantes?

Negócios fundamentais?

 

Não estando o Sudão metido

Nesta contabilidade,

‘Inda não foi invadido

Em nome da liberdade…

 

12/6/2007

 

 

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A ANEDOTA DE FERNANDO CHARRUA

 

Firmeza é má se for escassa

Mas também se for em excesso,

E agora basta uma graça

P’ra se apanhar um processo.

 

Deixámos este governo

Tomar o freio nos dentes,

E vamos ter um inferno

Se ficarmos indiferentes.

 

Obedeçam ao José,

Desistam de dar combate,

Deixem-se dormir em pé,

Aceitem todo o dislate,

 

E, mais ano, menos ano,

Bastará um espirro só

P’ra este novo tirano

Nos meter no chilindró.

 

25/5/2007

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ANO NOVO

 

Temos Ano Novo à porta,

Saibamos aproveitá-lo.

Se o outro foi mau, que importa?

Do mal hoje aqui não falo.

 

Se o outro foi mau, façamos

Que o novo seja melhor.

Até dos mais secos ramos

Pode brotar uma flor.

 

Tudo está nas nossas mãos,

No que escolhermos fazer.

Escolhendo ser como irmãos,

Nada nos pode vencer.

 

Tudo está nas nossas mãos

E nas mãos do Salvador.

Vamos-Lhe pedir, irmãos,

Que faça abrir a tal flor…

 

16/12/2006

 

 

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NATAL 2006

 

Tiram das escolas Cristos,

Os servos do deus do Mal.

Blasfemam p’ra ser bem vistos,

Mas celebram o Natal.

 

Matam bebés por nascer,

Os servos do deus do Mal.

Só vivem para o prazer,

Mas celebram o Natal.

 

Destroem a Criação,

Os servos do deus do Mal.

Só adoram o cifrão,

Mas celebram o Natal.

 

Jesus, vem-nos ajudar,

E lembrar a quem esqueceu

Que o que vamos celebrar

É o nascimento Teu.

 

29/11/2006

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O REFERENDO AO ABORTO

 

Referendar o aborto

É como que perguntar:

“Achais que é certo matar?”

“Um bebé pode ser morto?”

 

Mas, por estranho que pareça,

As coisas vão ser assim.

E se o povo disser “SIM”,

Não há “NÃO” que prevaleça.

 

Perante tal situação,

Só resta o Espírito Santo.

A Quem é capaz de tanto

Façamos uma oração.

 

Se às mentes dos governantes

Não as pôde iluminar,

Vamos-Lhe agora rogar

Que ilumine as dos votantes.

 

8/10/2006

 

 

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AS “SALAS DE CHUTO”

 

O Governo, resoluto,

Num assomo progressista,

Criou as salas de chuto.

Dizem que é uma conquista.

 

Mas eu, cá por mim, confesso

Que não gostei da medida.

Não acho isto progresso,

Acho que é escavar na ferida.

 

Se a droga provoca a morte,

Terá então cabimento

Que o Governo não se importe,

Que até ajude ao tormento?

 

E se nos vêm dizer

Que é assim em muito lado,

Só podemos responder:

Não deixa de ser errado.

 

26/8/2006

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A PROCRIAÇÃO ASSISTIDA

 

Procriação assistida,

Eis um tema muito sério.

Não se brinca com a vida,

Não se profana um mistério.

 

Mas no mundo enlouquecido

Em que parecemos viver,

Nada já é proibido,

Tudo se pode fazer.

 

Será que acabaram já

Os velhos valores, de todo?

Não existe alguém que vá

Contra a torrente de lodo?

 

Só resta tal conclusão

Para o fim desta poesia,

Se um Presidente cristão

Não veta a lei que devia.

 

21/7/2006

 

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