BLOGUE EM 4X4
por Fernando Henrique de Passos

Som: "Clarence in Wonderland", de Kevin Ayers
Disse o nosso Presidente
Que hoje é o Dia da Raça.
Disse-o com ar sorridente
E toda a gente achou graça.
Só em S. Brás de Alportel
É que não houve alegria.
Levantou-se um aranzel:
“Isto foi xenofobia!”
Foi um magote de gente
Para o Governo Civil:
Um Director descontente,
Mulheres vestidas de Abril.
Mas o bom Governador
Fê-los voltar a penates:
“É que achou o Professor
Ser Dia dos Disparates!”
10/6/2008
Professores avaliados:
Mais uma ideia brilhante
De ministros alheados
Do seu mundo circundante.
O grande mal das escolas,
A total indisciplina,
Não se cura com bitolas
P´ra avaliar quem ensina.
Dêem mais autoridade
A quem lida com alunos
Que, em abono da verdade,
São actuais hordas de hunos!
Ou vão ao ponto acabado
De tanta série de asneiras,
Com os alunos no estrado
E os professores nas carteiras!
19/3/2008
Vi que um voto de pesar
Por um crime tão nojento
É capaz de incomodar
Quem vive do Parlamento.
Vi bem que por ali ronda
Quem não esconde que até gosta
De gente tão hedionda
Como o Buíça e o Costa.
Vi que, passados cem anos,
Ainda há muitos deputados
A serem tão desumanos
Como esses dois celerados.
Vi e não pude votar,
Pois não pertenço aos votantes,
Mas deixo aqui o pesar
Por ter tais representantes.
11/2/2008
Você está mal mas ignora,
Vá já fazer um rastreio!
(Julga ir da vida a meio
E já está na sua hora…)
O vento vai soprar forte,
Olhe o alerta amarelo!
(Não julgue que faz farelo
Com a ameaça de morte…)
Cuidado com a comida,
Olhe o alerta laranja!
(Nitrofuranos na canja
São baixa esp’rança de vida…)
O senhor está muito mal,
Olhe os alertas vermelhos!
(Mas siga os nossos conselhos
E ficará imortal…)
14/1/2008
O país anda absorto
Com uma história idiota:
Este novo aeroporto
Deve ser feito na Ota?
Debates na televisão,
Muitas folhas nos jornais.
Estuda-se a fundo a questão
E até se estuda demais.
Para não ficar atrás
Eu também dou um palpite,
E quero, desde S. Brás,
Deixar aqui o convite:
Na planície ou na serra,
Seja feito com primores,
P’ra mandar p’ra outra terra
Tão chatos comentadores.
9/12/2007
Dá aulas um moribundo,
Trabalha-se em agonia.
Se não é o fim do mundo,
É como o fim principia.
Que regime de pasmar
Nos veio a calhar em sorte,
Que nos manda trabalhar
Até às portas da morte!
Não se comovem com pranto,
Não se comovem com nada,
Estaline parece um santo
Face a gente tão malvada.
Em estando na minha mão,
Sabia como os tratar:
Uma só constipação
E mandava-os descansar!
9/11/2007
Eu queria dar de barato
Que este governo é honesto.
Mas a rusga ao sindicato…
(Para não falar no resto…)
Já fora o caso Charrua,
Também Vieira do Minho…
Ninguém há que não conclua:
Não vamos por bom caminho!
Parece o “antigamente”:
Quem for contra “a situação”
Dê-se por muito contente
Se não se vir na prisão!
Temos de tomar medidas
Antes que isto vá a mais
E estas pequenas feridas
Passem a cancros mortais…
20/10/2007
Que sorte avessa e madrasta,
Tudo acontece à nação…
Outro mal que agora alastra
É o da prostituição.
Em cada esquina ou viela,
Lá está uma meretriz.
Passo sem olhar p’ra ela,
Choro por este país.
Até S. Brás de Alportel,
Antes vila sossegada,
Parece mais um bordel,
Tal é a fauna avistada.
Existe uma solução
(Não agrada a toda a gente…):
É meterem na prisão,
Não “elas”, mas o cliente.
16/9/2007
Eram doze os concorrentes,
Apóstolos actuais.
Dizem-se todos diferentes,
Eu acho-os muito iguais.
Eram doze os candidatos…
Escrevo Apóstolos a custo,
Pois dizer doze Pilatos
É com certeza mais justo.
Nenhum tem culpa de agora
Estar a Câmara num caos.
Cada um diz (e não cora!)
Que os outros é que são maus.
…Eram doze os candidatos,
Como que Apóstolos de hoje.
Mas da história dos seus Actos
Até o Diabo foge.
15/7/2007
Quase se recusa a mão
A pôr isto no papel:
Gente é morta no Sudão
Por causa da cor da pele.
Tanto discurso inflamado
Sobre direitos humanos
E um povo a ser dizimado
Ao longo de anos e anos!
Mas ali há diamantes?
Interesses ocidentais?
Alianças importantes?
Negócios fundamentais?
Não estando o Sudão metido
Nesta contabilidade,
‘Inda não foi invadido
Em nome da liberdade…
12/6/2007
Firmeza é má se for escassa
Mas também se for em excesso,
E agora basta uma graça
P’ra se apanhar um processo.
Deixámos este governo
Tomar o freio nos dentes,
E vamos ter um inferno
Se ficarmos indiferentes.
Obedeçam ao José,
Desistam de dar combate,
Deixem-se dormir em pé,
Aceitem todo o dislate,
E, mais ano, menos ano,
Bastará um espirro só
P’ra este novo tirano
Nos meter no chilindró.
25/5/2007
Temos Ano Novo à porta,
Saibamos aproveitá-lo.
Se o outro foi mau, que importa?
Do mal hoje aqui não falo.
Se o outro foi mau, façamos
Que o novo seja melhor.
Até dos mais secos ramos
Pode brotar uma flor.
Tudo está nas nossas mãos,
No que escolhermos fazer.
Escolhendo ser como irmãos,
Nada nos pode vencer.
Tudo está nas nossas mãos
E nas mãos do Salvador.
Vamos-Lhe pedir, irmãos,
Que faça abrir a tal flor…
16/12/2006
Tiram das escolas Cristos,
Os servos do deus do Mal.
Blasfemam p’ra ser bem vistos,
Mas celebram o Natal.
Matam bebés por nascer,
Os servos do deus do Mal.
Só vivem para o prazer,
Mas celebram o Natal.
Destroem a Criação,
Os servos do deus do Mal.
Só adoram o cifrão,
Mas celebram o Natal.
Jesus, vem-nos ajudar,
E lembrar a quem esqueceu
Que o que vamos celebrar
É o nascimento Teu.
29/11/2006
Referendar o aborto
É como que perguntar:
“Achais que é certo matar?”
“Um bebé pode ser morto?”
Mas, por estranho que pareça,
As coisas vão ser assim.
E se o povo disser “SIM”,
Não há “NÃO” que prevaleça.
Perante tal situação,
Só resta o Espírito Santo.
A Quem é capaz de tanto
Façamos uma oração.
Se às mentes dos governantes
Não as pôde iluminar,
Vamos-Lhe agora rogar
Que ilumine as dos votantes.
8/10/2006
O Governo, resoluto,
Num assomo progressista,
Criou as salas de chuto.
Dizem que é uma conquista.
Mas eu, cá por mim, confesso
Que não gostei da medida.
Não acho isto progresso,
Acho que é escavar na ferida.
Se a droga provoca a morte,
Terá então cabimento
Que o Governo não se importe,
Que até ajude ao tormento?
E se nos vêm dizer
Que é assim em muito lado,
Só podemos responder:
Não deixa de ser errado.
26/8/2006
Procriação assistida,
Eis um tema muito sério.
Não se brinca com a vida,
Não se profana um mistério.
Mas no mundo enlouquecido
Em que parecemos viver,
Nada já é proibido,
Tudo se pode fazer.
Será que acabaram já
Os velhos valores, de todo?
Não existe alguém que vá
Contra a torrente de lodo?
Só resta tal conclusão
Para o fim desta poesia,
Se um Presidente cristão
Não veta a lei que devia.
21/7/2006
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